segunda-feira, maio 05, 2008

Príncipes e princesas

Então no sábado uma colega de trabalho fez a festa de aniversário do filhinho dela. Eu não fui convidada, por motivos mais do que óbvios e compreensíveis. Quando a gente faz festa, sempre acaba deixando alguém de fora...

Eu hoje indo pro trabalho pensei em comprar um presente pra ele, mas imaginei que seria algo ligeiramente psicopata. Na verdade, não psicopata. Vejam a cena:

(Sarita chega com um presente para a mãe da criança)
- Comprei isso para o seu filho.
(A mãe, com ar de surpresa)
- Ora, não precisava, Sarita!
- Ahh precisava sim. Você não me chamou, mas eu não poderia deixar de dar meu presente para ele, um menino tão bonito...
(A mãe, um pouco sem graça)
- Puxa, eu pensei que você não poderia vir, por isso eu não chamei..
(Sarita, séria, se aproxima)
- Mas é claro que você sabia. Você simplesmente não me convidou, mas isso não é problema, porque eu faço questão de entregar o meu presente ao seu principezinho.
(Nessa hora, a mãe do menino fica alarmada e pede desculpas, novamente. Sarita responde)
- Não, não se incomode. Eis aqui o meu presente. (A luz começa a oscilar, computadores desligam involuntariamente, Sarita dá um sorriso macabro) Quando ele completar 15 anos, ele...

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Psicopata? Nada. Apenas a bruxa da Bela Adormecida. =)

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Minhas encomendas chegaram.
- Children of Dune e God Emperor of Dune (Frank Herbert)
- Once Soundtrack

Eu adoro a amazon.com...

quinta-feira, maio 01, 2008

Clipping de notícias

Meu desempenho enquanto amante de futebol me surpreendeu ontem. A mim e a várias pessoas que estavam também no Outback de Botafogo, também assistindo o jogo do Flamengo.
Eu palpitei, eu comentei e eu descobri que tenho aquela memória desgraçada de quem vai ao Maracanã. Triste... ;)

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Alterações em breve no blog. Vou tentar deixá-lo mais navegável e menos cheio de conhecimento particularizado.
Mas as citações a livros de ficção-científica nerds ao extremo permanecerão.

Nerd e inteligente, meus caros. Uma combinação explosiva, com certeza...

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Ressonância magnética devidamente feita, descubro que a hérnia de disco possui quatro fases distintas: abaulamento, protusão discal e outras 2 piores cujo nome eu desconheço.
Tratadas corporativamente, essas fases podem ser assim nomeadas:
- Hérnia trainee
- Hérnia júnior
- Hérnia pleno
- Hérnia sênior

A minha é trainee. E, infelizmente para ela, não será promovida.
Como diria Donald Trump, minha cara, you're so fucking fired!

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Em homenagem ao meu Nokia N96 (sim, N96), ainda na loja me esperando...

quarta-feira, abril 30, 2008

Blogs

Confesso que sou leitora assídua (assídua mesmo) de poucos blogs. Na verdade, acho que de nenhum, nem do meu - o que justifica as idas e vindas de meus 3 leitores (sim, vocês 3 mesmo), que aparecem e desaparecem em consonância com meus aparecimentos e desaparecimentos.

Eu leio o Malvados com pouca freqüência, esquecendo que as tirinhas são diárias, e geralmente leio as tirinhas anteriores me arrependendo das gargalhadas que deixei passar e que fizeram falta em dias vazios e sem graça (ultimamente uma constante, ao menos 8h por dia).

Leio o Giant in the Playground por culpa da Order of the Stick, e mesmo assim só leio a Order of the Stick, tendo começado na minha semana de licença médica, há uns bons meses, por recomendação do Thiago (o amigo super-hiper-mega nerd com faculdade de economia e que fez eletiva em Teoria dos Jogos). Depois de muito tempo ainda estou no quadrinho 292 enquanto o site está no 500 e alguma coisa.

Leio O Cachambi não é aqui! todas as vezes que o Leandro, no auge do desespero, abre a janelinha do sametime e fala "vai no meu blog e lê o que eu escrevi lá!", eu me arrependendo do tempo que fiquei longe. Solidariedade é você deixar comentário!!! Solidariedade é passar e falar ao menos oi, mesmo com toda a burocracia do servidor...

Eventualmente, quando passeando por blogs divertidos, eu lembro de entrar no Garotas que dizem Ni, uma homenagem a minha própria insanidade digna de livro, filme e fotografia.

Não leio os blogs dos meus outros amigos, abandonados, esquecidos ou simplesmente substituídos por flogs cujo endereço eu recebi algum dia.

Sou relapsa, sou acomodada e confesso que os links ficam muito longe no meu próprio blog. Ficassem mais em cima, perto do título, eu talvez lembrasse de clicá-los com maior frequência.

Hoje eu fiquei com peso na consciência.
Um dos meus 3 leitores já havia dito estar sentindo falta dos meus posts - em uma clara referência ao desinteresse que eu (carne, ossos e mini-hérnia em formação) desperto nas pessoas.
E o Leandro, linkado aí em cima, fez o favor de publicar um post elogiando os blogs que ele lê. Eu não merecia estar ali - e não fosse ele um menino sincero pra caramba eu desconfiaria que ele só me incluiu por saber que eu eventualmente leio (advogado gosta de fazer média, vocês sabem..).

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Leandro, obrigada!
Reclamaram dos posts sobre o Flamengo e eu acho que já estive melhor, mas obrigada mesmo assim!

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E entrem no blog dele, gente. Se não for pelo texto (que eu adoro), que seja pelo link para as fotos dele no flicker. Sensacional fotógrafo, autor da foto que eu mais gostei do meu casamento.

terça-feira, abril 29, 2008

Apólogo

Não é sobre o Flamengo, caju. =)

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Vocês conhecem um conto do Drummond chamado "Apólogo"? Não tenho certeza quanto ao autor nem quanto ao nome, mas resumidamente é a história de uma agulha que se revolta por achar que faz todo o trabalho para a linha - que nada faz - ir às festas nas roupas das clientes da costureira. Esta história se passa na caixinha de costura, e a conclusão é que todos, em algum momento da vida, servimos de agulha a alguma linha ordinária e sem consideração.

Lembrei desse conto há alguns meses - e digo isso sem ressentimento, até achando graça - quando uma menina que estudou comigo me ligou pedindo algumas informações sobre um concurso que eu tinha feito. Não digo que ela não poderia ter ligado - afinal, ela tinha meu número, e são relativamente poucas as pessoas que o têm. Digo apenas que foi estranho atender o telefone e ouvir alguém que eu não via há séculos me pedindo informações sobre concurso quando ela poderia ter me ligado há outros séculos para devolver um dvd meu que ainda está com ela desde que nos vimos pela última vez.

Isso tem aproximadamente 3 anos. E nesse tempo todo ela me ligou, tirou a dúvida que queria, tornou a ligar, tornou a tirar dúvida e pedir informações - me senti o RH da empresa, mas fui bastante solícita até onde permitiram meus pareceres e meus prazos. E nada do dvd.

Não me incomodo em ajudar, se eu puder ajudar. Mas é engraçado como algumas pessoas conseguem ter força de vontade (ou cara de pau, não sei bem.. rs) suficiente para procurar pessoas com quem não tem intimidade e pedir ajuda, repetidas vezes, esquecendo o que elas deveriam fazer...

O mais engraçado mesmo é que, neste caso específico, deu pra perceber que ela não estava à vontade. Ou seja, ela não tem cara de pau. E sabia que a situação era estranha para nós duas.

Com perdão do trocadilho a ouvidos mais ou menos sensíveis... cara, tá no inferno? abraça o capeta e chama de parceiro! Não dá pra ficar de mesuras, não dá pra ficar com meias palavras. O ato em si pede coragem e ausência de tecidos humanos no rosto. Abrace sua natureza vegetal! Pra usar, usa direito, caramba, desde que não avacalhe.

sábado, abril 26, 2008

Cada um no seu...

quadrado.

Fase 1 - o vídeo do KibeLoco

quarta-feira, abril 23, 2008

Ah o Flamengo...

Disse o Cris que eu perdi um jogão não indo ao Maracanazinho assistir Flamengo x Corrientes.
Pelo preço eu deveria ter ido. Pela torcida também. E aparentemente pelo jogo.

Estava me arrependendo de não ter ido enquanto via o Flamengo (peladeiros de plantão) tomarem um escaldo bonito do Bolognesi na tal goleada que aconteceria hoje. Jogaram água na fogueira, enquanto todos os rubro-negros se perguntavam que diabos tinha acontecido com o time.

São Jorge não é o padroreiro do Flamengo, mas não seria certo que no dia de um santo nosso time - abençoado com certa regularidade - fosse abandonado à própria sorte, aos passes bisonhos do Léo Moura (que que é isso, Perla..) e ao Souza.

(Aliás, eu me pergunto o que será do Souza quando Joel mudar de continente...)

Depois de um 1o tempo assombrosamente sem gols e de assistir a zaga do Bolognesi fechar-se - até com jogadores usando o próprio corpo como escudo -, depois de gols perdidos sabe-se lá como, uma falta. A torcida grita, o Maraca inteiro grita "Bruno! Bruno!" e ele caminha em direção ao gol.

Eu só conseguia pensar no nosso gol lá, abandonado, sozinho, e tão, tão longe de onde o Bruno estava agora parado, conversando, ajeitando a bola. Foram segundos - segundos - de hesitação. Minha hesitação, não dele e nem da galera que virou minha companheira de cadeira amarela. Ninguém hesitou, além de mim. Nem o goleiro do Bolognesi, que teve a certeza do erro do Bruno. Cobrança perfeita, a bola fez uma sutil curva, encaixando-se delicadamente no canto esquerdo do goleiro. Lindo. O Maraca explodiu, a torcida comemorava o gol, o Bruno, o gol do Bruno, tudo. E eu gritava junto.

Poético e simbólico. No dia de São Jorge, santo guerreiro, protetor, quem abriu o placar foi o nosso protetor, o melhor goleiro do Brasil, pqp. Indicou o caminho, abriu os braços pros jogadores e sorriu, calado, em paz. Outro gol? Do Obina? Eu não lembro. Nada ofuscou o gol do Bruno, meu caro Thales...

Arrependida de não ter ido ao basquete? Talvez.
Feliz por ter ido ao futebol? Aos 40min do segundo tempo eu respondi. "Valeu a pena ter vindo a esse jogo só por esse gol do Bruno."

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Temos musiquinha nova para os jogos contra o Fluminense. Uma pena que o horário não me permite revelá-la...

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Bruno, eu te amo!

(Cumprindo uma promessa.. rs)

sexta-feira, abril 18, 2008

ThinkGeek

O legal nos links é exatamente como você vai parar em locais cuja existência não conhecia e que agora você não consegue largar.

Tudo começou com um artigo sobre os 15 livros de ficção científica que todos precisam ter (os tais "must-have").

Primeiro eu descubro que a lista realmente não deve ter sido bem elaborada, pois eu não tenho uma biblioteca tão boa assim e só não tenho 4 desses livros. 4! 4!!!

Depois, seguindo links, parei no site que dá título a esse post e pensei "Ora, quem disse que nós* não temos senso de humor?"

Já fiz uma lista de compras impressionante. O difícil vai ser pagar o frete...

Pessoas, vençam seus preconceitos! ThinkGeek!
As camisas são no mínimo engraçadas (ao menos praqueles que tem um lado nerd desconhecido).



*Desculpa, galera, mas depois de publicar no blog no último ano usando a parte "editar html" do blogger, eu me considero nerd...

quinta-feira, abril 17, 2008

Inspira, expira, inspira, expira...

Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira...
E que o coração não esqueça de bater.

Vai passar rápido, este é um local seguro, um ambiente controlado, uma instituição séria.
Peraí, tem certeza que eu não tenho mesmo nada de metal? E minhas obturações? Caramba, agora que eu lembrei que uma das brocas quebrou dentro do dente! Eu tenho metal!

Barulho ensurdecedor.

Será que é por causa do metal?

Inspira, expira, inspira, expira...
Conta. Ele disse 20 minutos. Essa é a segunda vez que tem barulhos ensurdecedores ininterruptos, então se eu contar, posso calcular quanto tempo falta.
1001, 1002, 1003...

6 minutos e o barulho pára.
Toda vez que ele pára o coração pára junto.
E eu respiro fundo.

Não desmaia, Sarita, se desmaiar você vai se mexer, ele disse que não pode mexer, não pode nem coçar o pé.

Inspira, expira, inspira, expira...
O barulho volta, e depois de mais 6min pára. Silêncio. Silêncio. A máquina continua fazendo um barulhinho persistente, só pra não dizer que o silêncio é absoluto.

Naquele espaço mínimo, claro, com vento no rosto e metal por todos os lados, eu penso em inundações, assassinatos, invasões, falta de energia, todo tipo de catástrofe que irá acontecer a qualquer segundo, enquanto eu estou ali, imóvel, batimentos cardíacos contados, consciência mantida a muito custo e nível de desespero controlado a base de muitos pensamentos positivos. Até a voz dizer "Tudo bem, Sarita?"

Não, não está tudo bem!!! Se você perguntar isso seriamente eu vou começar a socar essa máquina e vou me libertar na marra!!!
"Tudo, mas vai demorar muito?"

"Já acabou, já vamos tirar você daí."

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A sensação é de ser enterrada viva, sem que ninguém tenha te explicado que você morreu - porque se tivessem explicado você poderia relaxar e se asfixiar em paz, claro.

Depois de 20min fazendo ressonância magnética eu descubro que não tenho claustrofobia, mas que em sã consciência eu nunca mais vou saltitante e curiosa fazer um exame que te deixa trancafiado num cubículo barulhento por 30min.

E não, não dá pra pensar. Seus pensamentos não cabem ali dentro com você.
Mas sempre resta como opção cantar (eu escolhi "Hero", da Mariah Carey, e "Mr Jones", do Counting Crows - sim, eu estava desesperada).
No final, eu entoava o mantra das Bene Gesserit: I must not fear. Fear is the mind-killer. Fear is the little death that brings total obliteration...

Nunca pensei que ler ficção científica fosse efetivamente me ajudar...

terça-feira, abril 15, 2008

Chicken

Muitas são as opções no banco de imagens do Google, mas esta é a que melhor representa:



Kung-fu chicken.
Olhando de longe - e com fundo vermelho - parece assustador. Mas na verdade não é. Tem medo. E não conhece o mantra das Bene Gesserit*.

Pobrezinho...

O resultado é simples: eu, que não tenho medo, mas sigo ordens, acabo também me sujeitando a esse rótulo. Vai entender...


*"I must not fear. Fear is the mind-killer. Fear is the little death that brings total obliteration. I will face my fear. I will permit it to pass over me and through me. And when it has gone past I will turn the inner eye to see its path. Where the fear has gone there will be nothing. Only I will remain."

quarta-feira, abril 09, 2008

Compras!!!

Gente! Baixou o consumismo!
Entrei ontem na amazon.com e comprei um monte de livros!!!

Não, eu não perdi esse triste hábito de comprar livro. E não, eu ainda não comprei novas prateleiras. Por enquanto os livros vão sendo alocados na segunda fileira nas prateleiras que já estão aqui.

Mas minha coleção voltou ao ponto onde deveria estar.
Depois de ter lido "Children of Dune" no palm e ter colocado quinhentas citações aqui, achei por bem comprar o livro e terminar a coleção que foi iniciada com uma menção nada honrosa a meu péssimo hábito de ler pessoas.

Resolvi adotar a prática defendida por minhas companheiras de prática:
"There's no secret to balance. You just have to feel the waves."

Quando for pra comprar, compro. Quando for pra ler, leio. Quando for pra emprestar, empresto. E quando for pra passar o livro adiante (o que é mesmo muito agradável), a gente passa também, colocando dedicatória porque essa é a melhor parte. =)

Quadrilha

Eu estava preparada para fazer um tratado do amor não correspondido (em homenagem aquele poema do José, que amava Teresa, que amava...), mas limitar-me-ei a descrever a cena.

6a feira, choppinho, quatro amigos num bar. Um único menino.
O menino está cercado por 3 meninas absolutamente diferentes: menina A, menina B e menina C.
Menina A acha tudo que ele faz perfeito, é superprotetora e por isso mesmo meio desligada.
Menina B não reparou que ele é apaixonado por ela, ou melhor, reparou mas prefere não acreditar pelo risco de perder o amigo.
Menina C não o acha perfeito, mas o acha surpreendentemente igual a ela, motivo pelo qual ela sabe que ele está apaixonado e sabe que ele não vai falar nada.

Menina B conversa muito com menina C, e menina C conversa muito com menina A.

Em um desses papos, menina C comenta a noite do choppinho e diz que menino não sabe disfarçar. Menina A não entende e menina C explica; menina A não acredita e promete confirmar com menino. Menina B finge que não entende mas, depois de alguns minutos, resigna-se.

Menina C, então, percebe que menino não vai falar nada. E que dois amigos do menino (que ela viu uma única vez) percebem tão bem quanto ela. Menina C pensa "Caramba... de que adianta anos de convivência se eu, que conheci o menino ontem, sei o que ele quer só de olhar pra ele?".

O pior de tudo pra menina C é saber e não poder falar nada, por absoluta falta de evidências. Ainda que o olhar de felicidade seja o suficiente para comprovar. E menina C fica triste pelo menino, porque o poema se encaixa como uma luva:


Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

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A filha de João ia casar com Antônio, mas acabou fugindo com Pedro.
Antônio amava a menina que amava Pedro.
Quadrilha.

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Amizade é uma m*. Traz intimidade, e a intimidade traz a liberdade pra dizer tudo que se pensa. Até magoar fica mais fácil.
E nem por isso menos dolorido.

O bom em ter amigos é não ter que pedir desculpas toda hora. O pedido de desculpas fica subentendido no "tá desculpado" que serve pra substituir o "foi mal", e mesmo na pressa em explicar tudo pra não parecer que foi de propósito.

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Thiago, meu caro, lembre o mantra. Um dia você perde o medo. =)

domingo, abril 06, 2008

Maratona Odeon

Como sempre, eu enviei o convite pra trocentas pessoas. Como sempre, elas disseram que não poderiam.
Diferentemente das outras vezes, dessa eu fui, mesmo correndo o risco de estar sozinha.

Acabei não estando. E entre pipocas, pessoas estranhas e uma caixinha de tic-tac que só não esvaziou porque foi levada embora ao final do 2o filme, eu me surpreendi com "Once", o filme irlandês que esteve entre os finalistas do Oscar de melhor trilha sonora e ganhou.

A fórmula é simples e o resultado é bom. Quem assiste compra a história, compra o drama, compra o clima "crescendo" e com clímaxes cada vez maiores, típico de filmes europeus (aquele ritmo que, quando você percebe, acabou e você se sente confortável e relaxado). Mas o surpreendente mesmo são as cenas de música. A ponto de eu resolver comprar não só a história, mas também o cd.

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Meu agradecimento público a meus companheiros de dor nas costas nessa 6a feira de Maratona nas cadeiras super-confortáveis do Odeon.
Merci, Thiago. Merci, Romulo. =)

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ERRATA

Quando eu falei "trocentas pessoas", referi-me às 7 ou 8 que costumam passar a madrugada na rua e voltar pra casa na manhã do dia seguinte... Alguns, que têm curso no sábado ou eventualmente plantão, além daqueles que não iriam MESMO, eu não chamei.
Poxa, Leandro, isso não quer dizer que eu não gostaria da companhia do senhor e de sua senhora, mas imaginei que não pudessem ir e que ficariam frustrados.

Aliás, se você não viu esse filme, veja.

sexta-feira, março 21, 2008

De volta ao batente, lépida e fagueira

Vou colocar os fatos em ordem cronológica e limitar-me-ei (com mesóclise e tudo) a só comentar o que precisar ser comentado. Tem coisas que falam por si só...

Preliminarmente, esclareço, para quem ainda não sabe: eu e meu mui digno esposo fomos para Maceió passar 10 dias de preguiça, praia e frutos do mar.
Como toda viagem minha tem percalços (e os 3 leitores assíduos deste blog sabem disso de cadeira, poltrona de avião e banco de ônibus), essa não poderia ser diferente. Percalços, sim. Tropeços, com certeza. Tudo sem perder o charme típico desta carioca, flamenguista e possuidora do gadget mais interessante já inventado: o palm.

1- O vôo saiu do Rio por volta de 1h da madrugada, com chegada prevista em Maceió às 5h. Chegamos no hotel 5h30.
Pergunta: para que horas estava marcado nosso check-in?
Resposta: 12h. 12h = meio-dia, não meia-noite.
Conclusão: Fomos para outro hotel e lá ficamos até meio-=dia, dormindo. Porque, é claro, o nosso hotel estava lotado.

2- Em Maceió você pode até tentar atravessar a rua enlouquecidamente como os cariocas, mas não conseguirá. Ao verem você tentando se matar, os motoristas irão parar e permitirão sua travessia incólume e envergonhada.

3- Está sendo realizado o evento mais esperado por todas as meninas vencedoras do concurso de miss nas cidades alagoanas: a eleição da Miss Alagoas. Com direito a passeio à capital para sessão de fotos no monumento em homenagem a Teotônio Vilela.

4- Essa é para os advogados: qual é o princípio mais importante?
Não sabe? Pois os estudantes de direito de Alagoas já escolheram o seu top-3: contraditório, ampla defesa e dignidade da pessoa humana. Esqueçam os outros, esqueçam a ponderação, esqueçam toda e qualquer teoria que tentou explicar que os princípios possuirão valores diferentes dependendo do caso concreto. Esqueçam o caso concreto! São esses. E ponto.

5- Impressionante. No vôo de ida o avião foi invadido em Sergipe (sim, tivemos escala em Aracaju, por quê? Não pode?) por participantes dos Jogos Petrobras. Eu não sei não, mas pensava que já tivesse acabado...

6- Sou criativo. Quero criar um nome pra minha loja de sapatos. Hum... que tal... "Sapato's"? Perfeito!
Agora... preciso criar um slogan... Hum... "Sapatos é na Sapato's"? Perfeito também!
(Não, eu não digitei errado. REALMENTE.)

7- Eu e o mui digno esposo fomos passear na foz do Sao Francisco que em algum tempo deixará de existir graças a transposição das águas. Então, com a consciência de vermos um fenômeno em extinção, passeamos nas dunas, vimos o encontro com as águas do mar, tomamos banho no rio e tiramos fotos. Perfeito. No retorno ao barco, Cristiano percebe que está sem óculos. Desce do barco, volta pra areia, pricura óculos, pergunta, nada. Solução: comprar lentes de contato. Quase 3oo$ por causa de um passeio ecológico. Malditos turistas e suas invenções...

8- Óbivo que algo mais ia dar errado. Voltando do shopping (sim, tem shopping em Maceió, com cinema Severiano Ribeiro onde assistimos "10.000 a.C.") depois de comprar a lente, descobrimos já no restaurante (chamada "Água doce".. hum...) que a máquina estava, coitada, sozinha dentro do táxi. E que o táxi já tinha ido embora. Cristiano pensa, coloca as mãos na cabeça, usa uns 2 palavrões que eu não conhecia, e anda de um lado para outro até eu ter a brilhante idéia de voltar ao shopping e falar com alguém da cooperativa. Passa rádio pra central, central fala com os táxis, Cristiano anda, Sarita toma sorvete. Em 30min retorna a camera, nas mãos do motorista de táxi. E recuperam-se, assim, ao mesmo tempo, o bom humor do marido, a calma da esposa e as 200 fotos tiradas em 3 dias de viagem.

9- Lembrei o que eu tenho contra paulista. Além de sem educação quando em bando e viajando, eles desdenham dos locais e se acham os reis da cocada-preta. Sorte minha que não tinha cocada preta lá. Ou sorte deles, porque eu fiquei tolerância -20 no dia que por infelicidade dividimos a van da empresa de turismo com 4 casais paulistas. Sim, minha querida, 4, daqueles que você gosta, no ponto! Como eu gosto de ser carioca...

10- Ainda tive que aturar gozação na orla porque estávamos com a camisa do Flamengo depois do desastre contra o Botafogo... Oras! O dinheiro não é meu? O corpo também? Então, carambolas...

11- Mergulho em Maragogi. Sarita, de snorkel e máscara, encontra um coral "coral", não "branco". Sarita resolve mergulhar para ver melhor. Sarita utiliza a técnica ensinada por Ivo, companheiro em sua empregadora: deitada, jogue o quadril para cima e depois levante as pernas; o corpo vai descer com velocidade. Sarita não controla direito o "levante as pernas" e quase dá uma cambalhota dentro dágua. O primeiro caso de cambalhota subaquática resultando em afogamento e na morte de um coral em formação no meio de uma APA (é, Leandro... ambiental colou de vez, rapaz..).

12- Em Maragogi vende-se o licor "Control". Se você ler com sotaque francês vai entender, meu caro. Vai por mim...

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Agora vamos à reclamação.

Impor ditadura aqui significa que EU escrevo o que EU quero quando EU quero. A contrario sensu quer dizer que se eu NAO quiser escrever, eu NAO escrevo. O máximo que vocês 3 podem fazer é lançar o protesto, mas não invocar um suposto direito criado por uma suposta ditadura.

Meu regime ditatorial é simples: vocês lêem, e só. E ai de vocês 3 se resolverem parar de ler.
Humpf.

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Leandro, atualizar o blog quando nada acontece é difícil. Mais difícil ainda é atualizar o blog quando você não levou o notebook pra viagem, o hotel cobra horrores pela navegação e deixa um único pc pra toda uma multidão de hóspedes...

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O mundo divide-se em dois grupos: os que amam o Flamengo e os que odeiam o Flamengo. Estes dividem-se em outros dois grupos: os que odeiam o Flamengo por ele ser o Flamengo e os que odeiam o Flamengo por ele não ser o seu time.

Ódio gratuito demonstra uma total falta de amor próprio. Meu caro, redirecione sua vida!
E o ódio causado por amor a outro time demonstra falta de consiciência de um dos fatos mais corriqueiros da vida: um dia a gente ganha, no outro a gente ganha também. "My apologies for any grief this may have caused you. Fortune passes everywhere." (Farad'n, Frank Herbert`s Children of Dune)

Sayonara.

quarta-feira, março 19, 2008

Aguardem.
Notícias quentíssimas na 6a feira da Paixão. =)

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E aproveitarei para lançar minha revolta!! =P

domingo, março 09, 2008

Nota mental

Como alguém pode gostar mais da minha versão blogueira do que de mim?
Será que eu criei um monstro e fui superado por ele???

Medo...

Fechado para balanço

Então durante as férias eu descubro que minha empregadora me persegue. Não "persegue" mandando trabalho pra casa (entendo meus alunos que reclamavam de estudar nas férias..), mas "persegue" sutilmente, fazendo ressurgir coisas que deveriam ter permanecido adormecidas pelos 21 dias que ficarei em casa.
Parte delas acordou no meu último dia de trabalho.
Vai entender. Acho que todo mundo descobriu que eu ia entrar de férias. Foi uma saraivada de telefonemas, e-mails, pedidos de esclarecimentos, gente querendo marcar reunião, documentos sendo finalmente enviados, respostas chegando.. ufa! A ponto de eu olhar seriamente para meu chefe, às 17h30, e dizer com o ar mais desconsolado do mundo "Você não vai embora agora não, né? Tenho um monte de coisa pra te explicar ainda... Todo mundo resolveu falar comigo hoje, tudo resolveu andar!" e ouvi-lo responder "Não, pode deixar, eu vou esperar vocêfalar comigo."

Meus queridos, eu estou de férias!
E a prova de que eu estou de férias é o fato de eu não ter a menor idéia de quem consultou o quê, quais contratos estão sendo discutidos e o que é urgente!

Feliz!!!
A felicidade está nas pequenas coisas da vida: acordar tarde, dormir tarde, ficar no msn jogando conversa fora, não atualizar o blog, ver tv comendo chocolate, ficar deitada no sofá com o marido...

Crachá agora só no final do mês. Até lá, irei ao centro da cidade a passeio. Sorrindo minha alegria, minha disposição e minhas férias pra quem quiser ver!

quarta-feira, março 05, 2008

29 de fevereiro

O dia 29 de fevereiro passou e eu senti um vazio. Aquele vazio de ter desperdiçado uma experiência que só irá se repetir daqui a 4 longos anos. Em 4 anos muita coisa terá mudado em minha vida. E eu não aproveitei o dia 29. Nem mesmo fiz um post comemorativo, dissertativo, explicativo.

Buscando recuperar o tempo perdido - literalmente - vamos às explicações.
Nosso planeta teoricamente demora 365 dias para dar uma volta completa em torno do sol. Teoricamente pra fins de arredondamento, porque ficam faltando umas 4 horas todos os anos. Ou seja, na verdade a gente estaria muitos anos atrás do nosso próprio tempo não fosse esse ajuste forçado a cada quatro anos: juntemos as 4 horas que sobram em cada ano e acabaremos correndo atrás do tempo perdido!

2008 foi um desses anos de corrida desenfreada atrás do dia perdido. Um dia inteiro perdido por conta do arredondamento.
(Thiago, agora você vê a importância e a diferença que algumas casas decimais podem fazer em uma planilha de preços...)

E eu, para não fugir ao nosso antigo hábito de recuperar o tempo que escoa entre nossos dedos por nossa própria escolha, deixo agora, em março, com alguns dias de atraso, minha homenagem ao dia 29 de fevereiro de 2008. Homenagem que or enquanto será apenas mencionada, e não disponibilizada. O texto está em processo. Mas antes de 2012 ela estará pronta. Ou não.

sábado, março 01, 2008

Pausa para descanso

Iniciou-se a pausa para descanso.
Isso implica em eu ter mais tempo para escrever, mas ter consideravelmente menos assunto. O que tornará meu blog excepcionalmente chato.

Na tentativa de ultrapassar o nível extremo de chatice, tentando deixá-lo ao menos suportável, vou fazer uma lista. Acompanhem.

1- Comprei um notebook. Na dúvida entre design e durabilidade, fiquei com os dois. Um Toshiba muito fofo de 13,3" com o tal Windows Vista instalado. Minha crítica atual é simples: por que exatamente o Vista precisa de minha autorização/permissão para executar um mísero joguinho? Tudo isso é medo? O Vista tá com medo???

2- Instalei o Doom 3 neste notebook. O pedido foi simples: "quero matar monstros, e quero fazê-lo em primeira pessoa". A resposta foi à altura, não fosse o jogo ser em italiano. Para um jogo que precisa de instruções (aliás, percebi que o forte dele são as instruções no meio do nada, ao menos de acordo com o walkthrough que eu li - sim, eu li um walkthrough) isso não foi legal. Nada legal...

3- Fui expulsa do blog do João. Quando eu reparei, não podia mais postar. Coisa feia essa. Fazer a mudança da pessoa sem ao menos dizer pra ela onde você está colocando as caixas com as coisas...

4- Alguém tem o "Senhor dos Anéis" em versão estendida pra me emprestar? Quem iria fazê-lo "chickened out" e mudou de idéia sem dar aviso prévio. Humpf.

5- Fase consumista devidamente instalada no OS. Vamos ver no que isso vai dar.

6- Sim, eu concordo. Eu continuo bonita e com o mesmo sorriso. Ainda que você não tenha falado isso.

A Terra é redonda. Se você seguir sempre na mesma direção, voltará ao ponto inicial. Se meu blog decaiu e decair cada vez mais, será que ele voltará a ter a mesma qualidade de antes, por absoluta impossibilidade de ficar pior? =D
Torçam por isso, vocês três que me lêem...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

[Recebi o link por e-mail e abri ligeiramente incrédula (ou receosa, vocês podem dizer). A fonte não era a mais neutra possível, mas mamãe me ensinou a não desacreditar as pessoas antes que elas provem não serem dignas de confiança no quesito em questão.
O quesito em questão era um conto. É um conto. Um daqueles que você lê e se pergunta porque, meu Deus, porque você não pensou nisso antes. Eu não pensei. E não é por falta de leitura. Vai ver é excesso de leitura. Água demais também mata a planta...]

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O vendedor de palavras

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50!". Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.
- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?


quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Halliburton, Petrobras e os notebooks

Terra Magazine - Como e o que de fato aconteceu no caso das informações, dos dados furtados da Petrobras?
José Sergio Gabrielli - Existe um poço de exploração, qualquer um, e ali há uma atividade de exploração. Tem uma sonda com um equipamento pequeno no meio. Esse equipamento, que está na sonda, perfura, faz um processo de recolhimento de informações, de perfilagem, como é chamado...

Como se fosse uma broca de dentista gigante?
Essa sonda é um espaço duas vezes maior do que o tamanho dessa sala (NR: então, de saída, pelo menos uns 70 metros quadrados) onde em cima dela você tem vários equipamentos. Tem dois ou três trailers, cabines (NR: que se tornaram conhecidos no caso como containers), e dentro deles todo um equipamento, conexões, etcetera. Elas, as cabines, são conectadas a equipamentos vários e se trabalha lá dentro.

Ok, então estamos na sonda...
Esse equipamento na sonda, que você chama de broca, faz um perfil do poço levantando dados sobre a formação geológica, temperatura, pressão, composição mineral, testes químicos... tudo isso vai sendo feito no percurso dessa espécie de parafuso que vai recolhendo muitos tipos de informações. Essa perfilagem é feita através de um tubo de aço que segura o poço. Hoje tem duas tecnologias, recentes, para isso...

Quais são?
Chamam-se LWD e MWD. (NR: Logging While Drilling e Measurement While Drilling, ou seja, perfuração direcional e perfuração inteligente). Os equipamentos na ponta da sonda captam o perfil de tudo ao mesmo tempo em que vão perfurando. Recolhem os dados enquanto perfuram. Todo poço em exploração faz isso. Os poços de produção não necessariamente. No Brasil...

Quantos são os poços no Brasil?
Hoje são 9 mil poços em produção. Mas do que estamos falando aqui é exploração, não produção. Bem, essa cabine pertence à empresa que faz o trabalho.

No caso, a Halliburton?
Sim, no caso a Halliburton. Geralmente, a empresa que faz o trabalho não é a dona da sonda, ela apenas faz o trabalho. Isso tudo dentro do trailer (NR: o tal "container"), ali tem computadores, telefones, equipamentos vários, e isso não desembarca, não é para ser desembarcado. O LWD, a perfuração, gera um volume gigantesco de dados, informações que só podem ser analisadas com softwares específicos.

Não é pra qualquer um...
Não, não. Tem que ter softwares específicos, muito sofisticados.

Mas é possível que alguém tenha esses softwares e consiga decodificar?
Sim, é possível, possível é, mas tem quer ter os softwares e muito conhecimento...

Sigamos...
Num processo normal, essa cabine é embarcada quando começa a perfuração de um poço e desembarcada quando termina. A cabine, o trailer, então vai para uma outra sonda, no mar, sem passar por terra. E, importante, antes de ser enviada para uma outra sonda no mar, todas as informações, os dados colhidos, são remetidos para a Petrobras.

De que forma são remetidos?
Ou via on line, quando são dados mais rápidos, em menor quantidade, ou em HDs (NR: discos rígidos) especiais, através de pessoas especialmente designadas para isso.

Por que não vão sempre on-line?
Porque às vezes só fisicamente. Às vezes é tão grande o volume de informações que só fisicamente. Imagine um terabyte de dados! E isso enviado por um computador... (NR: Um terabyte equivale a 1.099. 511.627.776 bytes. Ou seja, um trilhão de bytes. A grosso modo, pois há compressões, descompressões, um byte corresponde a uma letra, a um caractere) Bem, quando se desembarca qual é e tem sido o procedimento em milhares de casos?

Essa é uma boa pergunta...
O trailer (NR: o "container") é lacrado, com tudo dentro. Se fosse uma situação em que uma sonda estivesse em algum lugar isolado, se fosse uma situação com uma única sonda na região, se fosse a única sonda, o dono da sonda faria o desembarque. Mas, como no Brasil há muita sonda sob contrato da Petrobras, muito equipamento, nós mesmos transportamos...

Por quê?
Porque se não for assim fica muito caro, porque temos 240 mil toneladas de carga/mês feitas pelas 150 embarcações que se envolvem nesse transporte. Todo tipo de carga. Incluindo trailers. Esse é o processo. Você lacra esse trailer e em cada etapa é checado o lacre. Isso é importante, esse é o transporte da estrutura. Podemos melhorar o sistema?

Essa é outra boa pergunta...
Sim, podemos melhorar o sistema. Podemos, e devemos, não ter informação alguma mais contida aí. Aprendemos isso agora, não temos que ter mais informação guardada aí, mas isso funciona assim no mundo inteiro.

O que aconteceu no caso dessa sonda, desse furto?
Uma particularidade. Ela teve que encostar no Poliporto (NR: no Rio de Janeiro) para fazer uma manutenção regular. Então, todos os equipamentos foram desembarcados para terra. Os trailers foram para o terminal de cargas lá no Rio de Janeiro. O container (o trailer) é colocado, durante a viagem, dentro de uma grade de aço porque no mar tudo isso bate muito, tem essa grade de proteção. Esse container é que teve arrombados o cadeado e o lacre.

Enfim, o furto...
...a Petrobras tem um parque de máquinas, computadores, mais de 15 mil laptops. Já tivemos alguns roubos... pode ser roubo comum?

É outra das perguntas vitais...
Pode. Como hipótese, pode. Quem conhece, sabe o que tem ali. Pode, outra hipótese, ser um furto de quem está em busca de informações específicas? Pode ser um furto em busca de informações geológicas, litológicas...? Sim, pode ser. Alguém que quer uma avaliação mais precisa? Sim, pode ser.

Outra pergunta. O poço é o Júpiter?
Sim, vou confirmar: é Júpiter. Um poço de gás e condensado...

E qual é a estimativa?
Sem estimativa ainda, só foi perfurado um poço até agora. As informações específicas do poço interessam ao concessionário da área, que é a Petrobras. Mas, pode ter informações que sirvam a outros interesses?

Outra pergunta fundamental, de um ótimo jornalista...
Sim, pode ter informação que sirva a outros interesses; por exemplo, para quem se interessa pela compra de uma área próxima. Mas isso tem que se investigar: a quem interessaria?

Sim...
Frente a esse quadro, o que fazer? Quais são as lições desse caso? Primeiro, melhorar nossos controles. Manter os equipamentos a bordo, como tem sido a regra, não a exceção, mas garantir, isso é importante, garantir que o desembarque só aconteça quando tudo estiver limpo de informações, de dados, daquilo tudo que já foi remetido, enviado para a Petrobras. Nesse caso, isso não aconteceu. Não estava limpo. A empresa que gerou os dados, no caso a Halliburton, ela mantém um backup desses dados...

Ela tem um contrato específico para isso?
Tem...

Esse que foi assinado em agosto último?
...ela tem um contrato específico.

A Halliburton tem um backup, mas ela pode ficar de posse desses dados depois do trabalho encerrado? É um backup provisório?
Não, ela não pode ficar de posse. Ela só tem a posse quando faz o trabalho, nós ordenamos que ela apague tudo. Ela não pode reter as informações. E estas informações se tornam públicas dois anos depois, pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Disponíveis para qualquer um, para quem vai disputar um poço numa licitação. O que há para se fazer agora? Investigar. Estamos colaborando em tudo, esperamos que a Polícia chegue ao autor, ou autores, do furto.

Como tem muito jornalista chutando ou, pior, boiando, sem saber de nada, uma última pergunta: o que foi furtado? Quantos?
...bem...foram furtados quatro laptops, dois HDs e dois pentes de memória. Outra pergunta que se faz: por que demorou doze dias para o trailer sair da sonda e chegar em Macaé? Porque o transporte não é apenas para o trailer. O trailer é habitável.... De resto, quanto às questões policiais, não discuto porque não me cabem.

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E assim Gabrielli resume.
Não me perguntem mais nada, por favor... rs