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quarta-feira, maio 14, 2008

Hora extraordinária

A grande preocupação de quem começa um novo trabalho é o quão tarde será necessário sair. Pedro me perguntou isso e eu falei "relaxa, sair tarde é desnecessário..."

Hoje, às 22h25, eu mandei um torpedo para o mesmo Pedro dizendo "adivinha onde eu to.."
Eu estava no trabalho, no hall dos elevadores, descobrindo que depois de 22h só um elevador permanece ligado. Isso depois de, às mesmas 22h, as luzes terem sido apagadas e eu ter ligado pra pedir que reacendessem.

Para então descobrir, no subsolo, que os caixas eletrônicos do Itaú são os únicos desligados às 22h.

Ou seja, era 22h30, eu estava no centro da cidade, sem dinheiro, sem voucher, sem dinheiro em casa, sem caixa eletrônico funcionando.

A solução foi aceitar o oferecimento de uma gentil alma que passava perto, recusando, com isso, a vaquinha que os seguranças já pensavam em fazer...

É... eu estava mal a esse ponto.

segunda-feira, maio 12, 2008

Corporativismo amigo 1

Eu nunca trabalhei com amigos.
Já fiz amigos no trabalho, mas nunca trabalhei com amigos.

Pelo menos não até hoje.

Descoberta #1: amigos são cruéis quando se sentem à vontade; a ponto de pisar em você sem perceber, a ponto de fazer pouco de sua ajuda sem perceber, a ponto de fazer você se arrepender de sequer ter ficado feliz com a chegada deles.

A vantagem do amigo?
Ele sabe pedir desculpas.

Corporativismo de trânsito

Onde eu moro existem vários meios de transporte para quem quiser vir para o centro da cidade: trem, ônibus, táxi e, obviamente, as famosas vans e lotadas.
Para quem não conhece, a lotada funciona como funcionava antigamente: lota-se um táxi e cada pessoa paga um valor fixo.

Pois bem.

Onde eu moro a maioria das pessoas frescas, metidas ou apressadas prefere vir pro centro de lotada. Ar condicionado, espaço para respirar e, principalmente, acesso à faixa seletiva da Brasil, que muitas vezes se mostra como o oásis no deserto - ou a única faixa livre no meio do engarrafamento (bisonhamente, os motoristas comuns aprenderam a respeitar a seletiva).

O horário até 7h é tranquilo. Poucos acordaram, poucos estão pegando lotadas, a oferta é maior que a procura. E a Brasil está limpa.
A partir das 7h, porém, o trânsito muda, e as pessoas também.

Hoje eu saí de casa às 7h15. Eu e muitas outras pessoas.
Cheguei no ponto e ninguém estava lá. Parei próximo a um sinal e aguardei, sempre olhando para trás, monitorando o tráfego de pessoas que possivelmente pegariam lotada.
Uma mulher. Veio andando devagar, devagar passou por mim e devagar continuou andando até parar mais à frente.
Outras duas mulheres. Vieram não tão devagar, passaram por mim. Uma delas passou pela outra mulher e continou andando por cerca de 300m. A outra parou do lado da mulher que tinha chegado primeiro, conversou por alguns instantes e continuaram as duas andando por mais uns 100m.

Eu pensei "Pqp. Se eu ficar aqui, todas as lotadas vão ser ocupadas por essas 3. Vamos ver quem é que desiste primeiro...", dei meu sorriso maquiavélico (o tal "side smile") e comecei a andar.

Quando as duas perceberam que eu estava indo na direção delas, começaram a andar também. Mas não rápido o suficiente para evitar que eu as ultrapassasse (com direito a musiquinha do Senna de papel de parede).

A outra, que estava ainda mais à frente, me perseguiu por alguns metros após a ultrapassagem, mas acabou desistindo. E eu pensando "Fracos... hahahaha"

O mundo corporativo também é sinistro.
Os fracos não sobrevivem. Nem pra pegar táxi.

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O resultado: acabei pegando uma van. Para ouvir o tempo todo o motorista no nextel avisando os outros que a chapa tava quente na esquina da Rio Branco com Santa Luzia.

Ai ai...

quarta-feira, abril 30, 2008

Blogs

Confesso que sou leitora assídua (assídua mesmo) de poucos blogs. Na verdade, acho que de nenhum, nem do meu - o que justifica as idas e vindas de meus 3 leitores (sim, vocês 3 mesmo), que aparecem e desaparecem em consonância com meus aparecimentos e desaparecimentos.

Eu leio o Malvados com pouca freqüência, esquecendo que as tirinhas são diárias, e geralmente leio as tirinhas anteriores me arrependendo das gargalhadas que deixei passar e que fizeram falta em dias vazios e sem graça (ultimamente uma constante, ao menos 8h por dia).

Leio o Giant in the Playground por culpa da Order of the Stick, e mesmo assim só leio a Order of the Stick, tendo começado na minha semana de licença médica, há uns bons meses, por recomendação do Thiago (o amigo super-hiper-mega nerd com faculdade de economia e que fez eletiva em Teoria dos Jogos). Depois de muito tempo ainda estou no quadrinho 292 enquanto o site está no 500 e alguma coisa.

Leio O Cachambi não é aqui! todas as vezes que o Leandro, no auge do desespero, abre a janelinha do sametime e fala "vai no meu blog e lê o que eu escrevi lá!", eu me arrependendo do tempo que fiquei longe. Solidariedade é você deixar comentário!!! Solidariedade é passar e falar ao menos oi, mesmo com toda a burocracia do servidor...

Eventualmente, quando passeando por blogs divertidos, eu lembro de entrar no Garotas que dizem Ni, uma homenagem a minha própria insanidade digna de livro, filme e fotografia.

Não leio os blogs dos meus outros amigos, abandonados, esquecidos ou simplesmente substituídos por flogs cujo endereço eu recebi algum dia.

Sou relapsa, sou acomodada e confesso que os links ficam muito longe no meu próprio blog. Ficassem mais em cima, perto do título, eu talvez lembrasse de clicá-los com maior frequência.

Hoje eu fiquei com peso na consciência.
Um dos meus 3 leitores já havia dito estar sentindo falta dos meus posts - em uma clara referência ao desinteresse que eu (carne, ossos e mini-hérnia em formação) desperto nas pessoas.
E o Leandro, linkado aí em cima, fez o favor de publicar um post elogiando os blogs que ele lê. Eu não merecia estar ali - e não fosse ele um menino sincero pra caramba eu desconfiaria que ele só me incluiu por saber que eu eventualmente leio (advogado gosta de fazer média, vocês sabem..).

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Leandro, obrigada!
Reclamaram dos posts sobre o Flamengo e eu acho que já estive melhor, mas obrigada mesmo assim!

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E entrem no blog dele, gente. Se não for pelo texto (que eu adoro), que seja pelo link para as fotos dele no flicker. Sensacional fotógrafo, autor da foto que eu mais gostei do meu casamento.

terça-feira, abril 29, 2008

Apólogo

Não é sobre o Flamengo, caju. =)

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Vocês conhecem um conto do Drummond chamado "Apólogo"? Não tenho certeza quanto ao autor nem quanto ao nome, mas resumidamente é a história de uma agulha que se revolta por achar que faz todo o trabalho para a linha - que nada faz - ir às festas nas roupas das clientes da costureira. Esta história se passa na caixinha de costura, e a conclusão é que todos, em algum momento da vida, servimos de agulha a alguma linha ordinária e sem consideração.

Lembrei desse conto há alguns meses - e digo isso sem ressentimento, até achando graça - quando uma menina que estudou comigo me ligou pedindo algumas informações sobre um concurso que eu tinha feito. Não digo que ela não poderia ter ligado - afinal, ela tinha meu número, e são relativamente poucas as pessoas que o têm. Digo apenas que foi estranho atender o telefone e ouvir alguém que eu não via há séculos me pedindo informações sobre concurso quando ela poderia ter me ligado há outros séculos para devolver um dvd meu que ainda está com ela desde que nos vimos pela última vez.

Isso tem aproximadamente 3 anos. E nesse tempo todo ela me ligou, tirou a dúvida que queria, tornou a ligar, tornou a tirar dúvida e pedir informações - me senti o RH da empresa, mas fui bastante solícita até onde permitiram meus pareceres e meus prazos. E nada do dvd.

Não me incomodo em ajudar, se eu puder ajudar. Mas é engraçado como algumas pessoas conseguem ter força de vontade (ou cara de pau, não sei bem.. rs) suficiente para procurar pessoas com quem não tem intimidade e pedir ajuda, repetidas vezes, esquecendo o que elas deveriam fazer...

O mais engraçado mesmo é que, neste caso específico, deu pra perceber que ela não estava à vontade. Ou seja, ela não tem cara de pau. E sabia que a situação era estranha para nós duas.

Com perdão do trocadilho a ouvidos mais ou menos sensíveis... cara, tá no inferno? abraça o capeta e chama de parceiro! Não dá pra ficar de mesuras, não dá pra ficar com meias palavras. O ato em si pede coragem e ausência de tecidos humanos no rosto. Abrace sua natureza vegetal! Pra usar, usa direito, caramba, desde que não avacalhe.

quarta-feira, abril 23, 2008

Ah o Flamengo...

Disse o Cris que eu perdi um jogão não indo ao Maracanazinho assistir Flamengo x Corrientes.
Pelo preço eu deveria ter ido. Pela torcida também. E aparentemente pelo jogo.

Estava me arrependendo de não ter ido enquanto via o Flamengo (peladeiros de plantão) tomarem um escaldo bonito do Bolognesi na tal goleada que aconteceria hoje. Jogaram água na fogueira, enquanto todos os rubro-negros se perguntavam que diabos tinha acontecido com o time.

São Jorge não é o padroreiro do Flamengo, mas não seria certo que no dia de um santo nosso time - abençoado com certa regularidade - fosse abandonado à própria sorte, aos passes bisonhos do Léo Moura (que que é isso, Perla..) e ao Souza.

(Aliás, eu me pergunto o que será do Souza quando Joel mudar de continente...)

Depois de um 1o tempo assombrosamente sem gols e de assistir a zaga do Bolognesi fechar-se - até com jogadores usando o próprio corpo como escudo -, depois de gols perdidos sabe-se lá como, uma falta. A torcida grita, o Maraca inteiro grita "Bruno! Bruno!" e ele caminha em direção ao gol.

Eu só conseguia pensar no nosso gol lá, abandonado, sozinho, e tão, tão longe de onde o Bruno estava agora parado, conversando, ajeitando a bola. Foram segundos - segundos - de hesitação. Minha hesitação, não dele e nem da galera que virou minha companheira de cadeira amarela. Ninguém hesitou, além de mim. Nem o goleiro do Bolognesi, que teve a certeza do erro do Bruno. Cobrança perfeita, a bola fez uma sutil curva, encaixando-se delicadamente no canto esquerdo do goleiro. Lindo. O Maraca explodiu, a torcida comemorava o gol, o Bruno, o gol do Bruno, tudo. E eu gritava junto.

Poético e simbólico. No dia de São Jorge, santo guerreiro, protetor, quem abriu o placar foi o nosso protetor, o melhor goleiro do Brasil, pqp. Indicou o caminho, abriu os braços pros jogadores e sorriu, calado, em paz. Outro gol? Do Obina? Eu não lembro. Nada ofuscou o gol do Bruno, meu caro Thales...

Arrependida de não ter ido ao basquete? Talvez.
Feliz por ter ido ao futebol? Aos 40min do segundo tempo eu respondi. "Valeu a pena ter vindo a esse jogo só por esse gol do Bruno."

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Temos musiquinha nova para os jogos contra o Fluminense. Uma pena que o horário não me permite revelá-la...

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Bruno, eu te amo!

(Cumprindo uma promessa.. rs)

terça-feira, abril 15, 2008

Chicken

Muitas são as opções no banco de imagens do Google, mas esta é a que melhor representa:



Kung-fu chicken.
Olhando de longe - e com fundo vermelho - parece assustador. Mas na verdade não é. Tem medo. E não conhece o mantra das Bene Gesserit*.

Pobrezinho...

O resultado é simples: eu, que não tenho medo, mas sigo ordens, acabo também me sujeitando a esse rótulo. Vai entender...


*"I must not fear. Fear is the mind-killer. Fear is the little death that brings total obliteration. I will face my fear. I will permit it to pass over me and through me. And when it has gone past I will turn the inner eye to see its path. Where the fear has gone there will be nothing. Only I will remain."

quarta-feira, abril 09, 2008

Quadrilha

Eu estava preparada para fazer um tratado do amor não correspondido (em homenagem aquele poema do José, que amava Teresa, que amava...), mas limitar-me-ei a descrever a cena.

6a feira, choppinho, quatro amigos num bar. Um único menino.
O menino está cercado por 3 meninas absolutamente diferentes: menina A, menina B e menina C.
Menina A acha tudo que ele faz perfeito, é superprotetora e por isso mesmo meio desligada.
Menina B não reparou que ele é apaixonado por ela, ou melhor, reparou mas prefere não acreditar pelo risco de perder o amigo.
Menina C não o acha perfeito, mas o acha surpreendentemente igual a ela, motivo pelo qual ela sabe que ele está apaixonado e sabe que ele não vai falar nada.

Menina B conversa muito com menina C, e menina C conversa muito com menina A.

Em um desses papos, menina C comenta a noite do choppinho e diz que menino não sabe disfarçar. Menina A não entende e menina C explica; menina A não acredita e promete confirmar com menino. Menina B finge que não entende mas, depois de alguns minutos, resigna-se.

Menina C, então, percebe que menino não vai falar nada. E que dois amigos do menino (que ela viu uma única vez) percebem tão bem quanto ela. Menina C pensa "Caramba... de que adianta anos de convivência se eu, que conheci o menino ontem, sei o que ele quer só de olhar pra ele?".

O pior de tudo pra menina C é saber e não poder falar nada, por absoluta falta de evidências. Ainda que o olhar de felicidade seja o suficiente para comprovar. E menina C fica triste pelo menino, porque o poema se encaixa como uma luva:


Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

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A filha de João ia casar com Antônio, mas acabou fugindo com Pedro.
Antônio amava a menina que amava Pedro.
Quadrilha.

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Amizade é uma m*. Traz intimidade, e a intimidade traz a liberdade pra dizer tudo que se pensa. Até magoar fica mais fácil.
E nem por isso menos dolorido.

O bom em ter amigos é não ter que pedir desculpas toda hora. O pedido de desculpas fica subentendido no "tá desculpado" que serve pra substituir o "foi mal", e mesmo na pressa em explicar tudo pra não parecer que foi de propósito.

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Thiago, meu caro, lembre o mantra. Um dia você perde o medo. =)

domingo, abril 06, 2008

Maratona Odeon

Como sempre, eu enviei o convite pra trocentas pessoas. Como sempre, elas disseram que não poderiam.
Diferentemente das outras vezes, dessa eu fui, mesmo correndo o risco de estar sozinha.

Acabei não estando. E entre pipocas, pessoas estranhas e uma caixinha de tic-tac que só não esvaziou porque foi levada embora ao final do 2o filme, eu me surpreendi com "Once", o filme irlandês que esteve entre os finalistas do Oscar de melhor trilha sonora e ganhou.

A fórmula é simples e o resultado é bom. Quem assiste compra a história, compra o drama, compra o clima "crescendo" e com clímaxes cada vez maiores, típico de filmes europeus (aquele ritmo que, quando você percebe, acabou e você se sente confortável e relaxado). Mas o surpreendente mesmo são as cenas de música. A ponto de eu resolver comprar não só a história, mas também o cd.

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Meu agradecimento público a meus companheiros de dor nas costas nessa 6a feira de Maratona nas cadeiras super-confortáveis do Odeon.
Merci, Thiago. Merci, Romulo. =)

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ERRATA

Quando eu falei "trocentas pessoas", referi-me às 7 ou 8 que costumam passar a madrugada na rua e voltar pra casa na manhã do dia seguinte... Alguns, que têm curso no sábado ou eventualmente plantão, além daqueles que não iriam MESMO, eu não chamei.
Poxa, Leandro, isso não quer dizer que eu não gostaria da companhia do senhor e de sua senhora, mas imaginei que não pudessem ir e que ficariam frustrados.

Aliás, se você não viu esse filme, veja.

domingo, março 09, 2008

Fechado para balanço

Então durante as férias eu descubro que minha empregadora me persegue. Não "persegue" mandando trabalho pra casa (entendo meus alunos que reclamavam de estudar nas férias..), mas "persegue" sutilmente, fazendo ressurgir coisas que deveriam ter permanecido adormecidas pelos 21 dias que ficarei em casa.
Parte delas acordou no meu último dia de trabalho.
Vai entender. Acho que todo mundo descobriu que eu ia entrar de férias. Foi uma saraivada de telefonemas, e-mails, pedidos de esclarecimentos, gente querendo marcar reunião, documentos sendo finalmente enviados, respostas chegando.. ufa! A ponto de eu olhar seriamente para meu chefe, às 17h30, e dizer com o ar mais desconsolado do mundo "Você não vai embora agora não, né? Tenho um monte de coisa pra te explicar ainda... Todo mundo resolveu falar comigo hoje, tudo resolveu andar!" e ouvi-lo responder "Não, pode deixar, eu vou esperar vocêfalar comigo."

Meus queridos, eu estou de férias!
E a prova de que eu estou de férias é o fato de eu não ter a menor idéia de quem consultou o quê, quais contratos estão sendo discutidos e o que é urgente!

Feliz!!!
A felicidade está nas pequenas coisas da vida: acordar tarde, dormir tarde, ficar no msn jogando conversa fora, não atualizar o blog, ver tv comendo chocolate, ficar deitada no sofá com o marido...

Crachá agora só no final do mês. Até lá, irei ao centro da cidade a passeio. Sorrindo minha alegria, minha disposição e minhas férias pra quem quiser ver!

sábado, março 01, 2008

Pausa para descanso

Iniciou-se a pausa para descanso.
Isso implica em eu ter mais tempo para escrever, mas ter consideravelmente menos assunto. O que tornará meu blog excepcionalmente chato.

Na tentativa de ultrapassar o nível extremo de chatice, tentando deixá-lo ao menos suportável, vou fazer uma lista. Acompanhem.

1- Comprei um notebook. Na dúvida entre design e durabilidade, fiquei com os dois. Um Toshiba muito fofo de 13,3" com o tal Windows Vista instalado. Minha crítica atual é simples: por que exatamente o Vista precisa de minha autorização/permissão para executar um mísero joguinho? Tudo isso é medo? O Vista tá com medo???

2- Instalei o Doom 3 neste notebook. O pedido foi simples: "quero matar monstros, e quero fazê-lo em primeira pessoa". A resposta foi à altura, não fosse o jogo ser em italiano. Para um jogo que precisa de instruções (aliás, percebi que o forte dele são as instruções no meio do nada, ao menos de acordo com o walkthrough que eu li - sim, eu li um walkthrough) isso não foi legal. Nada legal...

3- Fui expulsa do blog do João. Quando eu reparei, não podia mais postar. Coisa feia essa. Fazer a mudança da pessoa sem ao menos dizer pra ela onde você está colocando as caixas com as coisas...

4- Alguém tem o "Senhor dos Anéis" em versão estendida pra me emprestar? Quem iria fazê-lo "chickened out" e mudou de idéia sem dar aviso prévio. Humpf.

5- Fase consumista devidamente instalada no OS. Vamos ver no que isso vai dar.

6- Sim, eu concordo. Eu continuo bonita e com o mesmo sorriso. Ainda que você não tenha falado isso.

A Terra é redonda. Se você seguir sempre na mesma direção, voltará ao ponto inicial. Se meu blog decaiu e decair cada vez mais, será que ele voltará a ter a mesma qualidade de antes, por absoluta impossibilidade de ficar pior? =D
Torçam por isso, vocês três que me lêem...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Halliburton, Petrobras e os notebooks

Terra Magazine - Como e o que de fato aconteceu no caso das informações, dos dados furtados da Petrobras?
José Sergio Gabrielli - Existe um poço de exploração, qualquer um, e ali há uma atividade de exploração. Tem uma sonda com um equipamento pequeno no meio. Esse equipamento, que está na sonda, perfura, faz um processo de recolhimento de informações, de perfilagem, como é chamado...

Como se fosse uma broca de dentista gigante?
Essa sonda é um espaço duas vezes maior do que o tamanho dessa sala (NR: então, de saída, pelo menos uns 70 metros quadrados) onde em cima dela você tem vários equipamentos. Tem dois ou três trailers, cabines (NR: que se tornaram conhecidos no caso como containers), e dentro deles todo um equipamento, conexões, etcetera. Elas, as cabines, são conectadas a equipamentos vários e se trabalha lá dentro.

Ok, então estamos na sonda...
Esse equipamento na sonda, que você chama de broca, faz um perfil do poço levantando dados sobre a formação geológica, temperatura, pressão, composição mineral, testes químicos... tudo isso vai sendo feito no percurso dessa espécie de parafuso que vai recolhendo muitos tipos de informações. Essa perfilagem é feita através de um tubo de aço que segura o poço. Hoje tem duas tecnologias, recentes, para isso...

Quais são?
Chamam-se LWD e MWD. (NR: Logging While Drilling e Measurement While Drilling, ou seja, perfuração direcional e perfuração inteligente). Os equipamentos na ponta da sonda captam o perfil de tudo ao mesmo tempo em que vão perfurando. Recolhem os dados enquanto perfuram. Todo poço em exploração faz isso. Os poços de produção não necessariamente. No Brasil...

Quantos são os poços no Brasil?
Hoje são 9 mil poços em produção. Mas do que estamos falando aqui é exploração, não produção. Bem, essa cabine pertence à empresa que faz o trabalho.

No caso, a Halliburton?
Sim, no caso a Halliburton. Geralmente, a empresa que faz o trabalho não é a dona da sonda, ela apenas faz o trabalho. Isso tudo dentro do trailer (NR: o tal "container"), ali tem computadores, telefones, equipamentos vários, e isso não desembarca, não é para ser desembarcado. O LWD, a perfuração, gera um volume gigantesco de dados, informações que só podem ser analisadas com softwares específicos.

Não é pra qualquer um...
Não, não. Tem que ter softwares específicos, muito sofisticados.

Mas é possível que alguém tenha esses softwares e consiga decodificar?
Sim, é possível, possível é, mas tem quer ter os softwares e muito conhecimento...

Sigamos...
Num processo normal, essa cabine é embarcada quando começa a perfuração de um poço e desembarcada quando termina. A cabine, o trailer, então vai para uma outra sonda, no mar, sem passar por terra. E, importante, antes de ser enviada para uma outra sonda no mar, todas as informações, os dados colhidos, são remetidos para a Petrobras.

De que forma são remetidos?
Ou via on line, quando são dados mais rápidos, em menor quantidade, ou em HDs (NR: discos rígidos) especiais, através de pessoas especialmente designadas para isso.

Por que não vão sempre on-line?
Porque às vezes só fisicamente. Às vezes é tão grande o volume de informações que só fisicamente. Imagine um terabyte de dados! E isso enviado por um computador... (NR: Um terabyte equivale a 1.099. 511.627.776 bytes. Ou seja, um trilhão de bytes. A grosso modo, pois há compressões, descompressões, um byte corresponde a uma letra, a um caractere) Bem, quando se desembarca qual é e tem sido o procedimento em milhares de casos?

Essa é uma boa pergunta...
O trailer (NR: o "container") é lacrado, com tudo dentro. Se fosse uma situação em que uma sonda estivesse em algum lugar isolado, se fosse uma situação com uma única sonda na região, se fosse a única sonda, o dono da sonda faria o desembarque. Mas, como no Brasil há muita sonda sob contrato da Petrobras, muito equipamento, nós mesmos transportamos...

Por quê?
Porque se não for assim fica muito caro, porque temos 240 mil toneladas de carga/mês feitas pelas 150 embarcações que se envolvem nesse transporte. Todo tipo de carga. Incluindo trailers. Esse é o processo. Você lacra esse trailer e em cada etapa é checado o lacre. Isso é importante, esse é o transporte da estrutura. Podemos melhorar o sistema?

Essa é outra boa pergunta...
Sim, podemos melhorar o sistema. Podemos, e devemos, não ter informação alguma mais contida aí. Aprendemos isso agora, não temos que ter mais informação guardada aí, mas isso funciona assim no mundo inteiro.

O que aconteceu no caso dessa sonda, desse furto?
Uma particularidade. Ela teve que encostar no Poliporto (NR: no Rio de Janeiro) para fazer uma manutenção regular. Então, todos os equipamentos foram desembarcados para terra. Os trailers foram para o terminal de cargas lá no Rio de Janeiro. O container (o trailer) é colocado, durante a viagem, dentro de uma grade de aço porque no mar tudo isso bate muito, tem essa grade de proteção. Esse container é que teve arrombados o cadeado e o lacre.

Enfim, o furto...
...a Petrobras tem um parque de máquinas, computadores, mais de 15 mil laptops. Já tivemos alguns roubos... pode ser roubo comum?

É outra das perguntas vitais...
Pode. Como hipótese, pode. Quem conhece, sabe o que tem ali. Pode, outra hipótese, ser um furto de quem está em busca de informações específicas? Pode ser um furto em busca de informações geológicas, litológicas...? Sim, pode ser. Alguém que quer uma avaliação mais precisa? Sim, pode ser.

Outra pergunta. O poço é o Júpiter?
Sim, vou confirmar: é Júpiter. Um poço de gás e condensado...

E qual é a estimativa?
Sem estimativa ainda, só foi perfurado um poço até agora. As informações específicas do poço interessam ao concessionário da área, que é a Petrobras. Mas, pode ter informações que sirvam a outros interesses?

Outra pergunta fundamental, de um ótimo jornalista...
Sim, pode ter informação que sirva a outros interesses; por exemplo, para quem se interessa pela compra de uma área próxima. Mas isso tem que se investigar: a quem interessaria?

Sim...
Frente a esse quadro, o que fazer? Quais são as lições desse caso? Primeiro, melhorar nossos controles. Manter os equipamentos a bordo, como tem sido a regra, não a exceção, mas garantir, isso é importante, garantir que o desembarque só aconteça quando tudo estiver limpo de informações, de dados, daquilo tudo que já foi remetido, enviado para a Petrobras. Nesse caso, isso não aconteceu. Não estava limpo. A empresa que gerou os dados, no caso a Halliburton, ela mantém um backup desses dados...

Ela tem um contrato específico para isso?
Tem...

Esse que foi assinado em agosto último?
...ela tem um contrato específico.

A Halliburton tem um backup, mas ela pode ficar de posse desses dados depois do trabalho encerrado? É um backup provisório?
Não, ela não pode ficar de posse. Ela só tem a posse quando faz o trabalho, nós ordenamos que ela apague tudo. Ela não pode reter as informações. E estas informações se tornam públicas dois anos depois, pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Disponíveis para qualquer um, para quem vai disputar um poço numa licitação. O que há para se fazer agora? Investigar. Estamos colaborando em tudo, esperamos que a Polícia chegue ao autor, ou autores, do furto.

Como tem muito jornalista chutando ou, pior, boiando, sem saber de nada, uma última pergunta: o que foi furtado? Quantos?
...bem...foram furtados quatro laptops, dois HDs e dois pentes de memória. Outra pergunta que se faz: por que demorou doze dias para o trailer sair da sonda e chegar em Macaé? Porque o transporte não é apenas para o trailer. O trailer é habitável.... De resto, quanto às questões policiais, não discuto porque não me cabem.

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E assim Gabrielli resume.
Não me perguntem mais nada, por favor... rs

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Post onomatopaico

Do alto da arquibancada amarela eu vi tudo, tudinho, em riqueza de detalhes. Viu até a bola na trave aos 49 (ou 50?) do segundo tempo, quando a torcida já comemorava o título. Chance desperdiçada pelo Botafogo, que poderia ali decidir a partida levando para os pênaltis.
Justiça seja feita, o Bruno é muito bom. Como diria um dos comentaristas da rádigo globo, o cara consegue desviar a bola com o olho!!! Porque só isso justifica o fato de ele não ter se movido, acompanhando com o olhar, numa calma desconcertante, aquele mensageiro do mal redondo e voador que atingiu a baliza em cheio.

Vai entender.
14h15 eu consigo entrar no estádio depois de estacionar o carro na minha empregadora - uma muvuca inacreditável para um jogo que começaria as 16h e começou efetivamente às 16h10.
Um primeiro tempo murcho, xoxo, e eu pensando que pela primeira vez em 3 semanas conseguiria manter minha voz para o primeiro dia de trabalho.
Nada... o segundo tempo exigiu tudo que minhas cordas vocais tinham para dar, fosse cantando, fosse xingando, fosse berrando, fosse vaiando, fosse simplesmente emitindo barulhos sem qualquer sentido. Tudo para exaltar o time, empurrar os jogadores até o empate, desmoralizar os alvinegros ou afogar seus gritos de guerra em uma saraivada de vaias e apitos.
Até o penâlti. Um colega sensato ainda tentou acalmar um milionésimo da multidão. "Não se comemora algo que ainda não se tem, pelo menos espera o cara bater...", era o que ele dizia com os olhos. Nada... a comemoração evitou que o Maracanã caísse quando o gol saiu, porque eu tenho certeza que se parte da torcida não tivesse começado a descarregar a energia acumulada em um tempo e meio de stress, era bem provável que a fiscalização do CREA e o certificado para casos de incêndio e pânico de nada servissem...
Empate marcado, Tardelli em campo, gol da virada... foi só comemoração, dos 46min até o apito final do juiz, com direito a lance de perigo extremo - aquele no qual Bruno, bisonhamente, acompanhou a trajetória da bola até a trave.

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João, você tinha que ter ido, João. Cadeira amarela lotada, bolinha branca na mão, bandeirão do lado e abaixo, muuuuitas músicas... 4a tem Libertadores e eu estarei lá.

Essa é pra você aprender:

"Chora, vascaíno, o sonho acabou
e o vice agora é do Fogo!!!"

Saudações rubro-negras de bicampeão.

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Ahh faltou a onomatopéia...

Créu. =)

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Eu teria um desgosto profundo

Foi a primeira vez que eu fui domingo ao Maracanã ver jogo do Flamengo e não cantei a clássica música...
Tô me sentindo frustrada até agora.

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Mas valeu a estréia da musiquinha nova da torcida:

"Ê ê-ê ê-ê-ê-ê-ê...
Vice pra sempre!"

E olha que nem foi decisão... rs

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Domingo no Maracanã

Não vou dizer que a derrota passou suave com os comentários de "tudo bem, já estávamos classificados", "foi o time reserva", "Deus existe e é bom com os mais fracos".

A derrota tá engasgada. Tão engasgada que eu nem farei comentários sobre o jogo.
Mas domingo estaremos lá.
Estaremos, Michel.

"Eu sempre te amarei, onde estiver, estarei, ó meu Mengo!"

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Acho que só quem estava no Maraca ontem viu as torcidas após o jogo ser interrompido por falta de luz.
Young Flu de um lado, Jovem do outro. As torcidas cantavam e se desafiavam. Um tiquinho de nada da Raça fazia o mesmo, debaixo da chuva torrencial. De repente, Jovem e Raça correram para o meio da arquibancada verde. Transformaram o desafio em uma massa que gritava e encarava a Young, que não teve alternativa a não ser unir-se aos 10 bravos da outra torcida do Fluminense ( o nome? sei lá!). Foi patético ver a tentativa do Flu, enquanto o Maraca em uníssono (porque a Nação sempre é maioria) gritava "É união! É união!"

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Agulha

Um Apólogo - Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!


Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.

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E eu também.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Humpf.

Olheiras profundas, pálpebras pesadas, corpo dolorido. Tudo por quê? Tudo porque meus clientes resolveram ficar criativos!

E por que não aproveitar a semana em que só a Sarita está lá para exercer toda a criatividade que ficou durante anos repousando? Por que não?

E por que não ter idéias brilhantes quando a única que irá analisá-las será aquela que, por pura estafa, não conseguiu calcular míseros 25% de um valor irrisório para responder uma questão simples sobre aditivos?

E por que, digam, por que não complicar todos os casos mais um pouquinho, com a ajuda dos fornecedores? Vamos ver Sarita desesperada! Vamos vê-la não almoçando direito, vamos vê-la trabalhando em casa até meia-noite, vamos vê-la ligando para os clientes sem conseguir falar com eles e sabendo que o prazo está passando, o tempo está passando e nada fica pronto sozinho.

Melhor ainda. Vamos ver o ar de loucura se estampar vagarosamente em seu rosto. Vamos ver seu olhar adquirir um brilho estranho e vamos ver seu sorriso soar como estilete no papel alumínio (nota: definição atribuída por guilherme, o caju. Ou seria caju, o guilherme?)...

E ao final de tudo, vamos ligar para ela e dizer que desistimos, que o caso tomou novo rumo e seu parecer não é mais necessário! Para então assistir as veias em seu pescoço saltarem, explodirem e ela ter um aneurisma de stress.

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Humpf.

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"My doctor says that I have a malformed public duty gland and a natural deficiency in moral fiber, ahd that I am therefore excused from saving Universes."

Ford Prefect - Douglas Adams' The ultimate hitchhiker´s guide to the galaxy

sexta-feira, novembro 09, 2007

Shhh!

Ai ai... esses meus amigos carentes...

Então, nesse meio tempo eu fui pra Buenos Aires, voltei, arrumei o ap, fiquei doente, fui pra Macaé, voltei e finalmente agora estou soterrada de trabalho. Lar, doce lar... Ou melhor, empresa, doce empresa...

Como diria meu grande amigo Jack, fatiando a gente tem uma visão melhor do todo...

1- Buenos Aires é uma cidade impressionante. Limpa e organizada. Mas tem argentinos lá. Argentinos que acham sinceramente que se eles falarem aquele espanhol bizarro deles todo mundo vai entender. Depois de dias de stress (nos quais o Cris serviu de intérprete), eu me revoltei e falei em inglês com o cara do free-shop. Sim, pedi informações em inglês, e o cara foi obrigado a responder, obviamente. Em inglês também. Mantive a farsa até o final, mesmo vestindo a camisa do Flamengo. =P

2- O ap tá fofo. Mas é engraçado como mudar de perspectiva muda o modo de ver as coisas. Ele parece pequeno, mas experimentem ajudar na arrumação. Deus, que apartamento gigante!!!

3- Sarita doente, com febre e gripada no dia do jogo do Flamengo (o famigerado que terminou na vitória do Cruzeiro). Marido fez o almoço (ou parte dele) enquanto eu ficava jogada no sofá vendo televisão.

4- Ser soterrada de trabalho depois de voltar de viagem não estava nos meus planos para o mês de novembro, mas enfim... Vamos ver a super-Sarita em ação! =)

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Aviso que estou sem paciência. Nenhuma. Ao menos pra escrever.

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Caju, você poderia por favor disponibilizar as fotos do casório ou é pedir muito? rs

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"The rest is silence." (Hamlet, William Shakespeare)

sábado, outubro 20, 2007

Lagartixa

Então, que minha mãe não leia esse post.

Enquanto varria a casa hoje, achei uma lagartixa morta. Vocês já viram uma lagartixa morta? Já viram uma lagartixa morta e ressecada? Já viram uma lagartixa morta, ressecada e muito parecida com uma lagartixa viva, não fosse o fato de ela estar morta?

Quase tirei uma foto pra postar aqui, mas é provável que o João passasse mal (não por ela estar feia, porque estava até simpática - tão simpática quanto pode ser uma lagartixa morta - mas por ela estar morta. João tem problemas com cadáveres, mesmo os simpáticos...).

Então, nada de foto, e nada de mamãe aqui lendo que acharam uma lagartixa morta no processo de limpeza da casa.
Porque vai explicar pra ela que isso é um bom sinal - a lagartixa poderia simplesmente ter ficado lá, intocada, e ninguém nunca saberia (nem eu, nem ela, nem vocês) e isso indicaria que a casa não é varrida com frequência.

Mas não. Se eu menciono a lagartixa morta, o que vão pensar da casa dela?
Esclareço logo que é uma casa muito limpa, asseada e organizada - ao menos agora sem obsessão, porque senhor, era difícil...

Não se preocupem. Eu faço questão de falar que, da próxima vez que encontrar uma lagartixa morta na minha casa, vou tirar foto e publicar no blog. Com um aviso de censura (para estômagos sensíveis e outros Joãos (Joões?) que possam vomitar).

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Já leram "A paixão segundo G.H."?
A personagem (G.H.) entra em crise existencial por causa de uma barata. Ou melhor, o fato de ela encontrar uma barata morta amassada no armário faz com que ela reveja vários pontos em sua vida.
Mais ou menos como em "Laços de família", onde o distúrbio chega através de um cego que masca chiclete.

Senti-me a própria Clarice Lispector. Mal comparando, a lagartixa foi a minha barata. E se eu escrever um livro no mínimo parecido com os dela, já fico satisfeita.
Por enquanto bastam as semelhanças atuais: a faculdade de Direito (sim, ela fez UFRJ! Pra compensar o fato de Eurico Miranda também ter feito...) e o choque da lagartixa-barata.

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Cada um tem o psicopata e o bicho-revelador que merece.
Conheço uma pessoa que ontem perdeu seu psicopata favorito. Não sei como ela está, não seu como irá ficar. Só sei que ela está diferente...

Mais notícias em breve. =)

terça-feira, outubro 09, 2007

Visitante - David Cohen

Mundo animal

- Não acredito que você vai votar naquele sapo barbudo!
- Qual o problema? Melhor do que votar nessas aves de rapina...
- Sua anta! Tucanos não são aves de rapina!
- Mas são como urubus, se alimentam da desgraça alheia.
- Para o seu governo, urubus também não são aves de rapina! Aliás, você tem alguma coisa contra os urubus?
- Eu? Imagina... São animaizinhos tão simpáticos, tão importantes para o equilíbrio da nossa fauna, tão imprescindíveis... nos lixões!
- Melhor do que o bacalhau! Aliás, aposto que você nem sabe direito como é um bacalhau...
- Posso não entender muito de animais, mas posso garantir que o bacalhau é melhor do que o urubu!
- Não adianta tentar mudar de assunto, nunca imaginei que um homem como você...
- O que é que tem um homem como eu?
- Um homem que se diz tão esperto, uma verdadeira raposa...
- Lá vem você com seu veneno...
- Nunca imaginei que um homem como você fosse capaz de votar nesse tipo de cobra!
- Mas não era sapo?
- São todos anfíbios! Pior, são todos uns vermes!
- Assim não dá, assim você me confunde. E além do mais, você não entende nada de política!
- E nem você de animais.

* * *

- Ai que saudades do macaco Tião...