Acho que eu já comentei isso aqui, mas repito devido às circunstâncias.
Há alguns muitos meses, logo que o Pedro foi pra Brasília, eu acho que era a única pessoa a não olhar a conta de telefone e ligar pra ele com certa constância, além, obviamente, da mãe dele. Pode ser porque a conta estava em débito automático, pode ser porque eu não tinha nada melhor pra fazer, ou pode ser porque eu realmente sentia falta dele, depois de dividir com ele mesa em cursinho e frustrações de concursos e, principalmente, depois de me sentir culpada por eu ter passado na prova e ele não.
===
Considerando a complexidade do trabalho em nossa empregadora, eu acho que ele deve estar agradecendo ter alguém a quem perturbar diariamente pedindo ajuda, alguém suficientemente gentil pra ajudar sem pensar duas vezes.
Não, Pedro, eu não ajudo só por me sentir culpada não. E se continuar com essa palhaçada de me achar "forçada" nas gentilezas te encho de p&%$#@! (Melhorou?)
===
Enfim. Pedro, ainda em Brasília, me disse que eu tinha como característica marcante o fato de me aproximar das pessoas quando elas não estão fisicamente próximas. Ou seja: morasse ele ainda no Rio, eu não iria procurá-lo com tanta frequência e provavelmente não conversaria sobre metade das coisas que conversamos.
Pensei nisso ontem, depois de me despedir do Thiago, que falou algo mais ou menos assim: "O fato de eu saber que a partir de amanhã ficarei 15 dias longe de todos que eu conheço faz com que eu tenha que me controlar pra não fazer ou falar alguma besteira."
Em resumo, pessoas ficam impulsivas diante da proximidade da despedida. Talvez não impulsivas, talvez elas percam o medo. O clássico "fale agora ou cale-se para sempre". Mesmo que o "para sempre" dure 15 dias e, muito provavelmente, ao voltar você tenha preferido não ter aberto a boca antes.
É uma falsa segurança. Como se a distância fosse abrandar qualquer reação do interlocutor. Quer dizer que ama? Espere a véspera da viagem. Quer roubar um beijo? Espere o dia da viagem. Quer terminar tudo? No aeroporto, durante a despedida. E sim, as revelações serão sempre variações sobre um mesmo tema.
Com alguma sorte, na volta você poderá dizer-se arrependido, poderá voltar atrás, sem causar danos irrecuperáveis. Faz parte do senso comum essa idéia de aproveitar viagens para abrir o coração...
===
Eu não caio mais nessa. Não tem como voltar atrás. Não diga nada que você não possa manter quando retornar. Simples assim. =)
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sábado, maio 17, 2008
segunda-feira, maio 12, 2008
Corporativismo de trânsito
Onde eu moro existem vários meios de transporte para quem quiser vir para o centro da cidade: trem, ônibus, táxi e, obviamente, as famosas vans e lotadas.
Para quem não conhece, a lotada funciona como funcionava antigamente: lota-se um táxi e cada pessoa paga um valor fixo.
Pois bem.
Onde eu moro a maioria das pessoas frescas, metidas ou apressadas prefere vir pro centro de lotada. Ar condicionado, espaço para respirar e, principalmente, acesso à faixa seletiva da Brasil, que muitas vezes se mostra como o oásis no deserto - ou a única faixa livre no meio do engarrafamento (bisonhamente, os motoristas comuns aprenderam a respeitar a seletiva).
O horário até 7h é tranquilo. Poucos acordaram, poucos estão pegando lotadas, a oferta é maior que a procura. E a Brasil está limpa.
A partir das 7h, porém, o trânsito muda, e as pessoas também.
Hoje eu saí de casa às 7h15. Eu e muitas outras pessoas.
Cheguei no ponto e ninguém estava lá. Parei próximo a um sinal e aguardei, sempre olhando para trás, monitorando o tráfego de pessoas que possivelmente pegariam lotada.
Uma mulher. Veio andando devagar, devagar passou por mim e devagar continuou andando até parar mais à frente.
Outras duas mulheres. Vieram não tão devagar, passaram por mim. Uma delas passou pela outra mulher e continou andando por cerca de 300m. A outra parou do lado da mulher que tinha chegado primeiro, conversou por alguns instantes e continuaram as duas andando por mais uns 100m.
Eu pensei "Pqp. Se eu ficar aqui, todas as lotadas vão ser ocupadas por essas 3. Vamos ver quem é que desiste primeiro...", dei meu sorriso maquiavélico (o tal "side smile") e comecei a andar.
Quando as duas perceberam que eu estava indo na direção delas, começaram a andar também. Mas não rápido o suficiente para evitar que eu as ultrapassasse (com direito a musiquinha do Senna de papel de parede).
A outra, que estava ainda mais à frente, me perseguiu por alguns metros após a ultrapassagem, mas acabou desistindo. E eu pensando "Fracos... hahahaha"
O mundo corporativo também é sinistro.
Os fracos não sobrevivem. Nem pra pegar táxi.
===
O resultado: acabei pegando uma van. Para ouvir o tempo todo o motorista no nextel avisando os outros que a chapa tava quente na esquina da Rio Branco com Santa Luzia.
Ai ai...
Para quem não conhece, a lotada funciona como funcionava antigamente: lota-se um táxi e cada pessoa paga um valor fixo.
Pois bem.
Onde eu moro a maioria das pessoas frescas, metidas ou apressadas prefere vir pro centro de lotada. Ar condicionado, espaço para respirar e, principalmente, acesso à faixa seletiva da Brasil, que muitas vezes se mostra como o oásis no deserto - ou a única faixa livre no meio do engarrafamento (bisonhamente, os motoristas comuns aprenderam a respeitar a seletiva).
O horário até 7h é tranquilo. Poucos acordaram, poucos estão pegando lotadas, a oferta é maior que a procura. E a Brasil está limpa.
A partir das 7h, porém, o trânsito muda, e as pessoas também.
Hoje eu saí de casa às 7h15. Eu e muitas outras pessoas.
Cheguei no ponto e ninguém estava lá. Parei próximo a um sinal e aguardei, sempre olhando para trás, monitorando o tráfego de pessoas que possivelmente pegariam lotada.
Uma mulher. Veio andando devagar, devagar passou por mim e devagar continuou andando até parar mais à frente.
Outras duas mulheres. Vieram não tão devagar, passaram por mim. Uma delas passou pela outra mulher e continou andando por cerca de 300m. A outra parou do lado da mulher que tinha chegado primeiro, conversou por alguns instantes e continuaram as duas andando por mais uns 100m.
Eu pensei "Pqp. Se eu ficar aqui, todas as lotadas vão ser ocupadas por essas 3. Vamos ver quem é que desiste primeiro...", dei meu sorriso maquiavélico (o tal "side smile") e comecei a andar.
Quando as duas perceberam que eu estava indo na direção delas, começaram a andar também. Mas não rápido o suficiente para evitar que eu as ultrapassasse (com direito a musiquinha do Senna de papel de parede).
A outra, que estava ainda mais à frente, me perseguiu por alguns metros após a ultrapassagem, mas acabou desistindo. E eu pensando "Fracos... hahahaha"
O mundo corporativo também é sinistro.
Os fracos não sobrevivem. Nem pra pegar táxi.
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O resultado: acabei pegando uma van. Para ouvir o tempo todo o motorista no nextel avisando os outros que a chapa tava quente na esquina da Rio Branco com Santa Luzia.
Ai ai...
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Do nada...,
Esse sangue negro e viscoso,
Esta que vos fala,
Malvados
sábado, maio 10, 2008
Muito sobre nada
(E depois ainda tem gente que diz que a torcida do Flamengo não é grande. Eu - enquanto flamenguista - não me incomodo com as derrotas e vitórias de qualquer outro time, exceto se o perdedor for o próprio Flamengo. Mas é impressionante como todos os outros torcedores - ao menos em sua maioria - ficam divididos entre torcer a favor de seu time e contra o Flamengo. Não que sejam excludentes - não são.
Respeito a vida vazia de vocês que buscam motivação nas derrotas do Flamengo (aquela velha história de perder levando alguém junto, eu sei como é). Por serem meus amigos, eu nada direi. E manterei os comentários ao post abaixo, que não será apagado.)
===
Nada de novo no reino da Dinamarca. Exceto que Pedro - sim, Pedro, você - irá trabalhar comigo.
E por pouco não trabalha comigo COMIGO, do meu lado. Eu aceito os agradecimentos depois por não ter lembrado meu chefe - durante uma reunião - que ele deixou escapar entre os dedos a única pessoa dentre os convocados que tem um mínimo de noção de como funcionam os contratos de telecomunicações e o que raios são todas aquelas resoluções da Anatel...
Ah se eu tivesse entrado no blog antes e lido seu comentário...
If only...
===
Eu juro que não estou virando trekker (e não trekkie).
Mas esse comentário eu faço só para aqueles que chegaram a assistir o original (com Spock e Kirk) e depois depararam-se com a nova geração (com Data e Piccard).
Diferenç principal: Kirk não dava a mínima para o universo e todas as suas 9 dimensões, queria apenas salvar a própria pele e, com alguma sorte, salvar a tripulação e os passageiros da Enteprise. Piccard não. Piccard tomou como missão salvar todo o universo de qualquer ameaça. A nave está inteira, todos estão salvos, ele pode ir embora, mas ele fica, arriscando tudo por conta de um planetinha agrícola que provavelmente demorará milhares de anos para se recuperar e cuja população foi reduzida a 1/10...
Aliás e a propósito, por falar em Jornada nas Estrelas, acompanhem as minhas frases de efeito no msn (óbvio, aqueles que tiverem meu msn) e aqui no cabeçalho do blog. No próximo post (que não será sobre o Flamengo, o Gloriso, por motivos óbvios que fogem ao meu controle, ao meu senso crítico e ao meu pé-quente) eu explico a origem.
Respeito a vida vazia de vocês que buscam motivação nas derrotas do Flamengo (aquela velha história de perder levando alguém junto, eu sei como é). Por serem meus amigos, eu nada direi. E manterei os comentários ao post abaixo, que não será apagado.)
===
Nada de novo no reino da Dinamarca. Exceto que Pedro - sim, Pedro, você - irá trabalhar comigo.
E por pouco não trabalha comigo COMIGO, do meu lado. Eu aceito os agradecimentos depois por não ter lembrado meu chefe - durante uma reunião - que ele deixou escapar entre os dedos a única pessoa dentre os convocados que tem um mínimo de noção de como funcionam os contratos de telecomunicações e o que raios são todas aquelas resoluções da Anatel...
Ah se eu tivesse entrado no blog antes e lido seu comentário...
If only...
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Eu juro que não estou virando trekker (e não trekkie).
Mas esse comentário eu faço só para aqueles que chegaram a assistir o original (com Spock e Kirk) e depois depararam-se com a nova geração (com Data e Piccard).
Diferenç principal: Kirk não dava a mínima para o universo e todas as suas 9 dimensões, queria apenas salvar a própria pele e, com alguma sorte, salvar a tripulação e os passageiros da Enteprise. Piccard não. Piccard tomou como missão salvar todo o universo de qualquer ameaça. A nave está inteira, todos estão salvos, ele pode ir embora, mas ele fica, arriscando tudo por conta de um planetinha agrícola que provavelmente demorará milhares de anos para se recuperar e cuja população foi reduzida a 1/10...
Aliás e a propósito, por falar em Jornada nas Estrelas, acompanhem as minhas frases de efeito no msn (óbvio, aqueles que tiverem meu msn) e aqui no cabeçalho do blog. No próximo post (que não será sobre o Flamengo, o Gloriso, por motivos óbvios que fogem ao meu controle, ao meu senso crítico e ao meu pé-quente) eu explico a origem.
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Eu teria um desgosto profundo
quarta-feira, maio 07, 2008
Pra não perder o hábito
Tem mais tudo. Menos sofredor
"A favela está em festa", diz alguém aqui no jornal, em tom de deboche. E o Leblon também. Assim com Ipanema, Copacabana, Tijuca, Barra...
É uma torcida tão grande que vai ser maioria no morro, nos bairros chiques, nas localidades de classe média, nos condomínios, nos loteamentos clandestinos, nas coberturas...
"Na torcida do Flamengo tem mais gordo, mais magro, mas feio, mais bonito, mais rico, mais pobre, mais bandido, mais gente honesta que em qualquer lugar. Tem simplesmente mais qualquer coisa que se pensar", diz um colega ao lado.
"Só não tem mais sofredor", faz a ressalva outro colega. "Afinal de contas, os vascaínos sofrem duas vezes. Quando o Vasco perde e quando o Flamengo ganha."
Mauro Ventura
===
Faz sentido.
E hoje tem Maraca. =)
"A favela está em festa", diz alguém aqui no jornal, em tom de deboche. E o Leblon também. Assim com Ipanema, Copacabana, Tijuca, Barra...
É uma torcida tão grande que vai ser maioria no morro, nos bairros chiques, nas localidades de classe média, nos condomínios, nos loteamentos clandestinos, nas coberturas...
"Na torcida do Flamengo tem mais gordo, mais magro, mas feio, mais bonito, mais rico, mais pobre, mais bandido, mais gente honesta que em qualquer lugar. Tem simplesmente mais qualquer coisa que se pensar", diz um colega ao lado.
"Só não tem mais sofredor", faz a ressalva outro colega. "Afinal de contas, os vascaínos sofrem duas vezes. Quando o Vasco perde e quando o Flamengo ganha."
Mauro Ventura
===
Faz sentido.
E hoje tem Maraca. =)
segunda-feira, maio 05, 2008
Príncipes e princesas
Então no sábado uma colega de trabalho fez a festa de aniversário do filhinho dela. Eu não fui convidada, por motivos mais do que óbvios e compreensíveis. Quando a gente faz festa, sempre acaba deixando alguém de fora...
Eu hoje indo pro trabalho pensei em comprar um presente pra ele, mas imaginei que seria algo ligeiramente psicopata. Na verdade, não psicopata. Vejam a cena:
(Sarita chega com um presente para a mãe da criança)
- Comprei isso para o seu filho.
(A mãe, com ar de surpresa)
- Ora, não precisava, Sarita!
- Ahh precisava sim. Você não me chamou, mas eu não poderia deixar de dar meu presente para ele, um menino tão bonito...
(A mãe, um pouco sem graça)
- Puxa, eu pensei que você não poderia vir, por isso eu não chamei..
(Sarita, séria, se aproxima)
- Mas é claro que você sabia. Você simplesmente não me convidou, mas isso não é problema, porque eu faço questão de entregar o meu presente ao seu principezinho.
(Nessa hora, a mãe do menino fica alarmada e pede desculpas, novamente. Sarita responde)
- Não, não se incomode. Eis aqui o meu presente. (A luz começa a oscilar, computadores desligam involuntariamente, Sarita dá um sorriso macabro) Quando ele completar 15 anos, ele...
===
Psicopata? Nada. Apenas a bruxa da Bela Adormecida. =)
===
Minhas encomendas chegaram.
- Children of Dune e God Emperor of Dune (Frank Herbert)
- Once Soundtrack
Eu adoro a amazon.com...
Eu hoje indo pro trabalho pensei em comprar um presente pra ele, mas imaginei que seria algo ligeiramente psicopata. Na verdade, não psicopata. Vejam a cena:
(Sarita chega com um presente para a mãe da criança)
- Comprei isso para o seu filho.
(A mãe, com ar de surpresa)
- Ora, não precisava, Sarita!
- Ahh precisava sim. Você não me chamou, mas eu não poderia deixar de dar meu presente para ele, um menino tão bonito...
(A mãe, um pouco sem graça)
- Puxa, eu pensei que você não poderia vir, por isso eu não chamei..
(Sarita, séria, se aproxima)
- Mas é claro que você sabia. Você simplesmente não me convidou, mas isso não é problema, porque eu faço questão de entregar o meu presente ao seu principezinho.
(Nessa hora, a mãe do menino fica alarmada e pede desculpas, novamente. Sarita responde)
- Não, não se incomode. Eis aqui o meu presente. (A luz começa a oscilar, computadores desligam involuntariamente, Sarita dá um sorriso macabro) Quando ele completar 15 anos, ele...
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Psicopata? Nada. Apenas a bruxa da Bela Adormecida. =)
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Minhas encomendas chegaram.
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quinta-feira, maio 01, 2008
Clipping de notícias
Meu desempenho enquanto amante de futebol me surpreendeu ontem. A mim e a várias pessoas que estavam também no Outback de Botafogo, também assistindo o jogo do Flamengo.
Eu palpitei, eu comentei e eu descobri que tenho aquela memória desgraçada de quem vai ao Maracanã. Triste... ;)
===
Alterações em breve no blog. Vou tentar deixá-lo mais navegável e menos cheio de conhecimento particularizado.
Mas as citações a livros de ficção-científica nerds ao extremo permanecerão.
Nerd e inteligente, meus caros. Uma combinação explosiva, com certeza...
===
Ressonância magnética devidamente feita, descubro que a hérnia de disco possui quatro fases distintas: abaulamento, protusão discal e outras 2 piores cujo nome eu desconheço.
Tratadas corporativamente, essas fases podem ser assim nomeadas:
- Hérnia trainee
- Hérnia júnior
- Hérnia pleno
- Hérnia sênior
A minha é trainee. E, infelizmente para ela, não será promovida.
Como diria Donald Trump, minha cara, you're so fucking fired!
===
Em homenagem ao meu Nokia N96 (sim, N96), ainda na loja me esperando...
Eu palpitei, eu comentei e eu descobri que tenho aquela memória desgraçada de quem vai ao Maracanã. Triste... ;)
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Alterações em breve no blog. Vou tentar deixá-lo mais navegável e menos cheio de conhecimento particularizado.
Mas as citações a livros de ficção-científica nerds ao extremo permanecerão.
Nerd e inteligente, meus caros. Uma combinação explosiva, com certeza...
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Ressonância magnética devidamente feita, descubro que a hérnia de disco possui quatro fases distintas: abaulamento, protusão discal e outras 2 piores cujo nome eu desconheço.
Tratadas corporativamente, essas fases podem ser assim nomeadas:
- Hérnia trainee
- Hérnia júnior
- Hérnia pleno
- Hérnia sênior
A minha é trainee. E, infelizmente para ela, não será promovida.
Como diria Donald Trump, minha cara, you're so fucking fired!
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Em homenagem ao meu Nokia N96 (sim, N96), ainda na loja me esperando...
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terça-feira, abril 29, 2008
Apólogo
Não é sobre o Flamengo, caju. =)
===
Vocês conhecem um conto do Drummond chamado "Apólogo"? Não tenho certeza quanto ao autor nem quanto ao nome, mas resumidamente é a história de uma agulha que se revolta por achar que faz todo o trabalho para a linha - que nada faz - ir às festas nas roupas das clientes da costureira. Esta história se passa na caixinha de costura, e a conclusão é que todos, em algum momento da vida, servimos de agulha a alguma linha ordinária e sem consideração.
Lembrei desse conto há alguns meses - e digo isso sem ressentimento, até achando graça - quando uma menina que estudou comigo me ligou pedindo algumas informações sobre um concurso que eu tinha feito. Não digo que ela não poderia ter ligado - afinal, ela tinha meu número, e são relativamente poucas as pessoas que o têm. Digo apenas que foi estranho atender o telefone e ouvir alguém que eu não via há séculos me pedindo informações sobre concurso quando ela poderia ter me ligado há outros séculos para devolver um dvd meu que ainda está com ela desde que nos vimos pela última vez.
Isso tem aproximadamente 3 anos. E nesse tempo todo ela me ligou, tirou a dúvida que queria, tornou a ligar, tornou a tirar dúvida e pedir informações - me senti o RH da empresa, mas fui bastante solícita até onde permitiram meus pareceres e meus prazos. E nada do dvd.
Não me incomodo em ajudar, se eu puder ajudar. Mas é engraçado como algumas pessoas conseguem ter força de vontade (ou cara de pau, não sei bem.. rs) suficiente para procurar pessoas com quem não tem intimidade e pedir ajuda, repetidas vezes, esquecendo o que elas deveriam fazer...
O mais engraçado mesmo é que, neste caso específico, deu pra perceber que ela não estava à vontade. Ou seja, ela não tem cara de pau. E sabia que a situação era estranha para nós duas.
Com perdão do trocadilho a ouvidos mais ou menos sensíveis... cara, tá no inferno? abraça o capeta e chama de parceiro! Não dá pra ficar de mesuras, não dá pra ficar com meias palavras. O ato em si pede coragem e ausência de tecidos humanos no rosto. Abrace sua natureza vegetal! Pra usar, usa direito, caramba, desde que não avacalhe.
===
Vocês conhecem um conto do Drummond chamado "Apólogo"? Não tenho certeza quanto ao autor nem quanto ao nome, mas resumidamente é a história de uma agulha que se revolta por achar que faz todo o trabalho para a linha - que nada faz - ir às festas nas roupas das clientes da costureira. Esta história se passa na caixinha de costura, e a conclusão é que todos, em algum momento da vida, servimos de agulha a alguma linha ordinária e sem consideração.
Lembrei desse conto há alguns meses - e digo isso sem ressentimento, até achando graça - quando uma menina que estudou comigo me ligou pedindo algumas informações sobre um concurso que eu tinha feito. Não digo que ela não poderia ter ligado - afinal, ela tinha meu número, e são relativamente poucas as pessoas que o têm. Digo apenas que foi estranho atender o telefone e ouvir alguém que eu não via há séculos me pedindo informações sobre concurso quando ela poderia ter me ligado há outros séculos para devolver um dvd meu que ainda está com ela desde que nos vimos pela última vez.
Isso tem aproximadamente 3 anos. E nesse tempo todo ela me ligou, tirou a dúvida que queria, tornou a ligar, tornou a tirar dúvida e pedir informações - me senti o RH da empresa, mas fui bastante solícita até onde permitiram meus pareceres e meus prazos. E nada do dvd.
Não me incomodo em ajudar, se eu puder ajudar. Mas é engraçado como algumas pessoas conseguem ter força de vontade (ou cara de pau, não sei bem.. rs) suficiente para procurar pessoas com quem não tem intimidade e pedir ajuda, repetidas vezes, esquecendo o que elas deveriam fazer...
O mais engraçado mesmo é que, neste caso específico, deu pra perceber que ela não estava à vontade. Ou seja, ela não tem cara de pau. E sabia que a situação era estranha para nós duas.
Com perdão do trocadilho a ouvidos mais ou menos sensíveis... cara, tá no inferno? abraça o capeta e chama de parceiro! Não dá pra ficar de mesuras, não dá pra ficar com meias palavras. O ato em si pede coragem e ausência de tecidos humanos no rosto. Abrace sua natureza vegetal! Pra usar, usa direito, caramba, desde que não avacalhe.
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Ninguém merece...
quarta-feira, abril 09, 2008
Quadrilha
Eu estava preparada para fazer um tratado do amor não correspondido (em homenagem aquele poema do José, que amava Teresa, que amava...), mas limitar-me-ei a descrever a cena.
6a feira, choppinho, quatro amigos num bar. Um único menino.
O menino está cercado por 3 meninas absolutamente diferentes: menina A, menina B e menina C.
Menina A acha tudo que ele faz perfeito, é superprotetora e por isso mesmo meio desligada.
Menina B não reparou que ele é apaixonado por ela, ou melhor, reparou mas prefere não acreditar pelo risco de perder o amigo.
Menina C não o acha perfeito, mas o acha surpreendentemente igual a ela, motivo pelo qual ela sabe que ele está apaixonado e sabe que ele não vai falar nada.
Menina B conversa muito com menina C, e menina C conversa muito com menina A.
Em um desses papos, menina C comenta a noite do choppinho e diz que menino não sabe disfarçar. Menina A não entende e menina C explica; menina A não acredita e promete confirmar com menino. Menina B finge que não entende mas, depois de alguns minutos, resigna-se.
Menina C, então, percebe que menino não vai falar nada. E que dois amigos do menino (que ela viu uma única vez) percebem tão bem quanto ela. Menina C pensa "Caramba... de que adianta anos de convivência se eu, que conheci o menino ontem, sei o que ele quer só de olhar pra ele?".
O pior de tudo pra menina C é saber e não poder falar nada, por absoluta falta de evidências. Ainda que o olhar de felicidade seja o suficiente para comprovar. E menina C fica triste pelo menino, porque o poema se encaixa como uma luva:
Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
===
A filha de João ia casar com Antônio, mas acabou fugindo com Pedro.
Antônio amava a menina que amava Pedro.
Quadrilha.
===
Amizade é uma m*. Traz intimidade, e a intimidade traz a liberdade pra dizer tudo que se pensa. Até magoar fica mais fácil.
E nem por isso menos dolorido.
O bom em ter amigos é não ter que pedir desculpas toda hora. O pedido de desculpas fica subentendido no "tá desculpado" que serve pra substituir o "foi mal", e mesmo na pressa em explicar tudo pra não parecer que foi de propósito.
===
Thiago, meu caro, lembre o mantra. Um dia você perde o medo. =)
6a feira, choppinho, quatro amigos num bar. Um único menino.
O menino está cercado por 3 meninas absolutamente diferentes: menina A, menina B e menina C.
Menina A acha tudo que ele faz perfeito, é superprotetora e por isso mesmo meio desligada.
Menina B não reparou que ele é apaixonado por ela, ou melhor, reparou mas prefere não acreditar pelo risco de perder o amigo.
Menina C não o acha perfeito, mas o acha surpreendentemente igual a ela, motivo pelo qual ela sabe que ele está apaixonado e sabe que ele não vai falar nada.
Menina B conversa muito com menina C, e menina C conversa muito com menina A.
Em um desses papos, menina C comenta a noite do choppinho e diz que menino não sabe disfarçar. Menina A não entende e menina C explica; menina A não acredita e promete confirmar com menino. Menina B finge que não entende mas, depois de alguns minutos, resigna-se.
Menina C, então, percebe que menino não vai falar nada. E que dois amigos do menino (que ela viu uma única vez) percebem tão bem quanto ela. Menina C pensa "Caramba... de que adianta anos de convivência se eu, que conheci o menino ontem, sei o que ele quer só de olhar pra ele?".
O pior de tudo pra menina C é saber e não poder falar nada, por absoluta falta de evidências. Ainda que o olhar de felicidade seja o suficiente para comprovar. E menina C fica triste pelo menino, porque o poema se encaixa como uma luva:
Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
===
A filha de João ia casar com Antônio, mas acabou fugindo com Pedro.
Antônio amava a menina que amava Pedro.
Quadrilha.
===
Amizade é uma m*. Traz intimidade, e a intimidade traz a liberdade pra dizer tudo que se pensa. Até magoar fica mais fácil.
E nem por isso menos dolorido.
O bom em ter amigos é não ter que pedir desculpas toda hora. O pedido de desculpas fica subentendido no "tá desculpado" que serve pra substituir o "foi mal", e mesmo na pressa em explicar tudo pra não parecer que foi de propósito.
===
Thiago, meu caro, lembre o mantra. Um dia você perde o medo. =)
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domingo, março 09, 2008
Nota mental
Como alguém pode gostar mais da minha versão blogueira do que de mim?
Será que eu criei um monstro e fui superado por ele???
Medo...
Será que eu criei um monstro e fui superado por ele???
Medo...
quarta-feira, março 05, 2008
29 de fevereiro
O dia 29 de fevereiro passou e eu senti um vazio. Aquele vazio de ter desperdiçado uma experiência que só irá se repetir daqui a 4 longos anos. Em 4 anos muita coisa terá mudado em minha vida. E eu não aproveitei o dia 29. Nem mesmo fiz um post comemorativo, dissertativo, explicativo.
Buscando recuperar o tempo perdido - literalmente - vamos às explicações.
Nosso planeta teoricamente demora 365 dias para dar uma volta completa em torno do sol. Teoricamente pra fins de arredondamento, porque ficam faltando umas 4 horas todos os anos. Ou seja, na verdade a gente estaria muitos anos atrás do nosso próprio tempo não fosse esse ajuste forçado a cada quatro anos: juntemos as 4 horas que sobram em cada ano e acabaremos correndo atrás do tempo perdido!
2008 foi um desses anos de corrida desenfreada atrás do dia perdido. Um dia inteiro perdido por conta do arredondamento.
(Thiago, agora você vê a importância e a diferença que algumas casas decimais podem fazer em uma planilha de preços...)
E eu, para não fugir ao nosso antigo hábito de recuperar o tempo que escoa entre nossos dedos por nossa própria escolha, deixo agora, em março, com alguns dias de atraso, minha homenagem ao dia 29 de fevereiro de 2008. Homenagem que or enquanto será apenas mencionada, e não disponibilizada. O texto está em processo. Mas antes de 2012 ela estará pronta. Ou não.
Buscando recuperar o tempo perdido - literalmente - vamos às explicações.
Nosso planeta teoricamente demora 365 dias para dar uma volta completa em torno do sol. Teoricamente pra fins de arredondamento, porque ficam faltando umas 4 horas todos os anos. Ou seja, na verdade a gente estaria muitos anos atrás do nosso próprio tempo não fosse esse ajuste forçado a cada quatro anos: juntemos as 4 horas que sobram em cada ano e acabaremos correndo atrás do tempo perdido!
2008 foi um desses anos de corrida desenfreada atrás do dia perdido. Um dia inteiro perdido por conta do arredondamento.
(Thiago, agora você vê a importância e a diferença que algumas casas decimais podem fazer em uma planilha de preços...)
E eu, para não fugir ao nosso antigo hábito de recuperar o tempo que escoa entre nossos dedos por nossa própria escolha, deixo agora, em março, com alguns dias de atraso, minha homenagem ao dia 29 de fevereiro de 2008. Homenagem que or enquanto será apenas mencionada, e não disponibilizada. O texto está em processo. Mas antes de 2012 ela estará pronta. Ou não.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
[Recebi o link por e-mail e abri ligeiramente incrédula (ou receosa, vocês podem dizer). A fonte não era a mais neutra possível, mas mamãe me ensinou a não desacreditar as pessoas antes que elas provem não serem dignas de confiança no quesito em questão.
O quesito em questão era um conto. É um conto. Um daqueles que você lê e se pergunta porque, meu Deus, porque você não pensou nisso antes. Eu não pensei. E não é por falta de leitura. Vai ver é excesso de leitura. Água demais também mata a planta...]
===
O vendedor de palavras
Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50!". Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.
- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?
O quesito em questão era um conto. É um conto. Um daqueles que você lê e se pergunta porque, meu Deus, porque você não pensou nisso antes. Eu não pensei. E não é por falta de leitura. Vai ver é excesso de leitura. Água demais também mata a planta...]
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O vendedor de palavras
Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50!". Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.
- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Decálogo dos direitos do blogueiro
1. Toda blogagem se dará em paz e exercitará a liberdade de expressão. A blogagem estará a salvo de perseguição política, religiosa ou doutrinária de qualquer caráter. O blogueiro será livre para dizer o que lhe venha à telha, não podendo ser taxado de politicamente incorreto, desde que, obviamente, não cometa crimes.
2. Todo blogueiro terá o direito de passar um dia, uma semana ou um mês sem blogar e não receber mensagens alarmistas ou apocalípticas. Os blogueiros serão poupados de receber e-mails com gritaria ou esbravejação em letras maiúsculas e, no caso de recebê-los, serão livres para exercitarem o direito de ignorá-los ou apagá-los.
3. Todos os blogueiros terão direito de blogar em próprio nome, em pseudônimo ou em heterônimo como lhes aprouver, de forma exclusiva ou simultânea.
4. Sendo publicitário, funcionário público, palhaço, vendedor de seguro, jogador de futebol, aeromoça, professor universitário, paquita, lixeiro, desempregado ou vagabundo nas horas vagas, o blogueiro tem direito de não ser importunado, agredido, chantageado ou ofendido por sua escolha ou necessidade profissional fora das horas de blogagem.
5. Todos os blogueiros terão direito de livre associação em quaisquer grupos, incluindo-se aí grupos com objetivos e programas contraditórios. Entender-se-á a blogagem sobretudo como um direito à coexistência bizarra, insólita e feliz de diferenças na internet. Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa nem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca visita com semelhante tranqüilidade.
6. Todo blogueiro estará livre de qualquer responsabilidade sobre afirmações feitas por outras pessoas em seu blog. Nenhum blogueiro poderá ser interpelado, processado ou censurado por ofensas ditas por outrem em seu blog. Caso alguma pessoa se sinta ofendida por algum comentário e reclame, o blogueiro terá amplo tempo para decidir qual a atitude correta que, como anfitrião, poderá exercitar.
7. A todo blogueiro será garantido o direito de promover votações, concursos, escrever citações, retrospectivas, autolinkagem ou reciclagem sem ser acusado de estar sem assunto.
8. Todo blog terá liberdade absoluta de linkar, deslinkar e relinkar como lhe preze, entendendo-se que a linkagem, em qualquer das formas acima citadas, é ato livre, unilateral e não significa, por si só, um endosso de conteúdo do site linkado. Todo blogueiro terá paz para linkar aqueles que o linkam ou não, na medida em que ele vá se viciando em blogs.
9. Todo blogueiro terá o direito de exercitar periodicamente o direito de dizer abobrinhas sobre assuntos que não entende, de tal forma que os blogs de futebol serão apoiados quando resolvam falar de música e os blogs de economia contarão com a compreensão geral quando decidam falar sobre vinho. Mais bobagem que certas revistas semanais blog nenhum conseguirá dizer.
10. Todo blogueiro terá o direito de propor decálogos completos ou incompletos – eneálogos, na verdade – e solicitar ser completado, corrigido ou auxiliado pela caixa de comentários. Esqueci de alguma coisa?
(Extraído de O Cachambi não é aqui!)
2. Todo blogueiro terá o direito de passar um dia, uma semana ou um mês sem blogar e não receber mensagens alarmistas ou apocalípticas. Os blogueiros serão poupados de receber e-mails com gritaria ou esbravejação em letras maiúsculas e, no caso de recebê-los, serão livres para exercitarem o direito de ignorá-los ou apagá-los.
3. Todos os blogueiros terão direito de blogar em próprio nome, em pseudônimo ou em heterônimo como lhes aprouver, de forma exclusiva ou simultânea.
4. Sendo publicitário, funcionário público, palhaço, vendedor de seguro, jogador de futebol, aeromoça, professor universitário, paquita, lixeiro, desempregado ou vagabundo nas horas vagas, o blogueiro tem direito de não ser importunado, agredido, chantageado ou ofendido por sua escolha ou necessidade profissional fora das horas de blogagem.
5. Todos os blogueiros terão direito de livre associação em quaisquer grupos, incluindo-se aí grupos com objetivos e programas contraditórios. Entender-se-á a blogagem sobretudo como um direito à coexistência bizarra, insólita e feliz de diferenças na internet. Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa nem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca visita com semelhante tranqüilidade.
6. Todo blogueiro estará livre de qualquer responsabilidade sobre afirmações feitas por outras pessoas em seu blog. Nenhum blogueiro poderá ser interpelado, processado ou censurado por ofensas ditas por outrem em seu blog. Caso alguma pessoa se sinta ofendida por algum comentário e reclame, o blogueiro terá amplo tempo para decidir qual a atitude correta que, como anfitrião, poderá exercitar.
7. A todo blogueiro será garantido o direito de promover votações, concursos, escrever citações, retrospectivas, autolinkagem ou reciclagem sem ser acusado de estar sem assunto.
8. Todo blog terá liberdade absoluta de linkar, deslinkar e relinkar como lhe preze, entendendo-se que a linkagem, em qualquer das formas acima citadas, é ato livre, unilateral e não significa, por si só, um endosso de conteúdo do site linkado. Todo blogueiro terá paz para linkar aqueles que o linkam ou não, na medida em que ele vá se viciando em blogs.
9. Todo blogueiro terá o direito de exercitar periodicamente o direito de dizer abobrinhas sobre assuntos que não entende, de tal forma que os blogs de futebol serão apoiados quando resolvam falar de música e os blogs de economia contarão com a compreensão geral quando decidam falar sobre vinho. Mais bobagem que certas revistas semanais blog nenhum conseguirá dizer.
10. Todo blogueiro terá o direito de propor decálogos completos ou incompletos – eneálogos, na verdade – e solicitar ser completado, corrigido ou auxiliado pela caixa de comentários. Esqueci de alguma coisa?
(Extraído de O Cachambi não é aqui!)
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Sorry!
Ai gente... eu não estava deprimida... =)
Eu apenas tinha passado a noite inteira ouvindo "Like a stone".
Notebook a caminho.
E eu pensando em dicas de locais de mergulho que não envolvam1h45 em uma escuna...
Alguma idéia?
Eu apenas tinha passado a noite inteira ouvindo "Like a stone".
Notebook a caminho.
E eu pensando em dicas de locais de mergulho que não envolvam1h45 em uma escuna...
Alguma idéia?
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Humpf de novo.
"Blog anda meio parado"
Como assim? Um completo desconhecido questionando minha vontade de atualizar o blog? E se eu simplesmente não tiver nada pra falar? E se eu não quiser falar sobre nada? E se nada tiver acontecido? Humpf.
===
Tá, eu confesso. Isso é mentira. Muita coisa aconteceu. Mas o fato de eu não ter internet banda larga em casa (vocês lembram o barulhinho do modem discando? pois é.. eu não só lembro como ouço...) me impede de atualizar com a frequencia desejada por mim e pelo 8k2p (que aparentemente é leitor assíduo do blog, assíduo, anônimo e agora reclamão).
===
A Constituição permite que pessoas utilizem o anonimato, mas não pra criticar abertamente. Como o meu blog não é uma democracia e possui regras próprias que só eu conheço, defenderei o direito que meus leitores têm de criticar única e exclusivamente o conteúdo. Ao menos por enquanto.
===
As novidades. Vamos a elas.
1- Conexão 3g a caminho. Tive que apelar. Nada de Velox, nada de Virtua, nada de nada. Só o bom e velho (??) modem de 56k com seus barulhinhos inconfundíveis (o barulhinho de discagem completa, o barulhinho de erro no modem, o barulhinho de erro no computador remoto...).
2- Notebook a caminho. Em processo de escolha. HDD 120, 2056 RAM, 14", geforce, coisas que experts diriam "pra quê? voce não vai usar isso tudo!". Peraí: o notebook é meu, eu coloco nele as inutilidades que eu quiser, oras! Se eu posso ter um hd de 120, pq eu teria um de 80? O mesmo se aplica à memória... Meu notebook! Meu! MEU!
3- Jurídico de TI atuando a toda. Impressionante. A única área que requer um pouco do conhecimento técnico que eu tenho. Eu sabia que não seria inútil prestar atenção quando estivessem consertando meu pc e que valeria a pena as perguntas idiotas que eu fiz com a maior cara de inocente há alguns anos... (Aliás, obrigada por isso!)
4- Aula de francês mais ou menos engatilhada. Estudando para fazer a prova de nivelamento no próximo mês. Preciso de algo além do inglês, né?
5- Got a friend to talk in english. A very patient friend with a fluffy accent. The one that makes u smile and just watch, the one that makes you wonder how long you could make him go on talking. The funny part is that i realized that even the pitches in voice change when we change the language... Hmm.
===
Realmente. Nada aconteceu na minha vida desde a última atualização...
Tá vendo porque eu não escrevi antes, 8k2p? =P
Como assim? Um completo desconhecido questionando minha vontade de atualizar o blog? E se eu simplesmente não tiver nada pra falar? E se eu não quiser falar sobre nada? E se nada tiver acontecido? Humpf.
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Tá, eu confesso. Isso é mentira. Muita coisa aconteceu. Mas o fato de eu não ter internet banda larga em casa (vocês lembram o barulhinho do modem discando? pois é.. eu não só lembro como ouço...) me impede de atualizar com a frequencia desejada por mim e pelo 8k2p (que aparentemente é leitor assíduo do blog, assíduo, anônimo e agora reclamão).
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A Constituição permite que pessoas utilizem o anonimato, mas não pra criticar abertamente. Como o meu blog não é uma democracia e possui regras próprias que só eu conheço, defenderei o direito que meus leitores têm de criticar única e exclusivamente o conteúdo. Ao menos por enquanto.
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As novidades. Vamos a elas.
1- Conexão 3g a caminho. Tive que apelar. Nada de Velox, nada de Virtua, nada de nada. Só o bom e velho (??) modem de 56k com seus barulhinhos inconfundíveis (o barulhinho de discagem completa, o barulhinho de erro no modem, o barulhinho de erro no computador remoto...).
2- Notebook a caminho. Em processo de escolha. HDD 120, 2056 RAM, 14", geforce, coisas que experts diriam "pra quê? voce não vai usar isso tudo!". Peraí: o notebook é meu, eu coloco nele as inutilidades que eu quiser, oras! Se eu posso ter um hd de 120, pq eu teria um de 80? O mesmo se aplica à memória... Meu notebook! Meu! MEU!
3- Jurídico de TI atuando a toda. Impressionante. A única área que requer um pouco do conhecimento técnico que eu tenho. Eu sabia que não seria inútil prestar atenção quando estivessem consertando meu pc e que valeria a pena as perguntas idiotas que eu fiz com a maior cara de inocente há alguns anos... (Aliás, obrigada por isso!)
4- Aula de francês mais ou menos engatilhada. Estudando para fazer a prova de nivelamento no próximo mês. Preciso de algo além do inglês, né?
5- Got a friend to talk in english. A very patient friend with a fluffy accent. The one that makes u smile and just watch, the one that makes you wonder how long you could make him go on talking. The funny part is that i realized that even the pitches in voice change when we change the language... Hmm.
===
Realmente. Nada aconteceu na minha vida desde a última atualização...
Tá vendo porque eu não escrevi antes, 8k2p? =P
Marcadores:
Aspectos de uma nerdice sem fim,
Do nada...,
Esta que vos fala
terça-feira, janeiro 15, 2008
Ai ai...
Apenas mais uma de amor - Lulu Santos
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito
Isto de ser abstrato baby
A beleza mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,A
alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
(E eu vou sobreviver...)
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito
Isto de ser abstrato baby
A beleza mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,A
alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
(E eu vou sobreviver...)
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Agulha
Um Apólogo - Machado de Assis
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
===
E eu também.
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
===
E eu também.
Marcadores:
Do nada...,
Esse sangue negro e viscoso,
Esta que vos fala
sexta-feira, novembro 16, 2007
A volta dos que não foram
Então eu e Cris acabamos de sair da Catedral e estamos atravessando uma das principais avenidas de Buenos Aires, indo em direção à Casa Rosada.
Dois homens atravessam a rua no outro sentido.
Um deles magro, branco, cabelos cacheados e castanhos. Sorri para nós dois. Ambos estamos com a camisa do Flamengo.
Passamos pelos homens com uma sensação estranha.Ao chegar do outro lado da rua, olhamos um para o outro, arregalamos os olhos, começamos a rir. Eu quebro a estupefação, falando:
- Cara, aquele ali não era o Kenny G??
- Era!
- Po, foi difícil reconhecer sem o saxofone!
Gargalhadas depois, passamos por este anúncio:

Ahh como eu me arrependo não ter pedido um autógrafo e tirado foto...
===
Nota: ele estava exatamente igual, com a mesmíssima camisa e o mesmo cabelo; mas admito que foto de outdoor engorda o fotografado.
Dois homens atravessam a rua no outro sentido.
Um deles magro, branco, cabelos cacheados e castanhos. Sorri para nós dois. Ambos estamos com a camisa do Flamengo.
Passamos pelos homens com uma sensação estranha.Ao chegar do outro lado da rua, olhamos um para o outro, arregalamos os olhos, começamos a rir. Eu quebro a estupefação, falando:
- Cara, aquele ali não era o Kenny G??
- Era!
- Po, foi difícil reconhecer sem o saxofone!
Gargalhadas depois, passamos por este anúncio:
Ahh como eu me arrependo não ter pedido um autógrafo e tirado foto...
===
Nota: ele estava exatamente igual, com a mesmíssima camisa e o mesmo cabelo; mas admito que foto de outdoor engorda o fotografado.
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Do nada...,
Eu teria um desgosto profundo,
Imagem e palavra,
Ninguém merece...
sábado, outubro 20, 2007
Lagartixa
Então, que minha mãe não leia esse post.
Enquanto varria a casa hoje, achei uma lagartixa morta. Vocês já viram uma lagartixa morta? Já viram uma lagartixa morta e ressecada? Já viram uma lagartixa morta, ressecada e muito parecida com uma lagartixa viva, não fosse o fato de ela estar morta?
Quase tirei uma foto pra postar aqui, mas é provável que o João passasse mal (não por ela estar feia, porque estava até simpática - tão simpática quanto pode ser uma lagartixa morta - mas por ela estar morta. João tem problemas com cadáveres, mesmo os simpáticos...).
Então, nada de foto, e nada de mamãe aqui lendo que acharam uma lagartixa morta no processo de limpeza da casa.
Porque vai explicar pra ela que isso é um bom sinal - a lagartixa poderia simplesmente ter ficado lá, intocada, e ninguém nunca saberia (nem eu, nem ela, nem vocês) e isso indicaria que a casa não é varrida com frequência.
Mas não. Se eu menciono a lagartixa morta, o que vão pensar da casa dela?
Esclareço logo que é uma casa muito limpa, asseada e organizada - ao menos agora sem obsessão, porque senhor, era difícil...
Não se preocupem. Eu faço questão de falar que, da próxima vez que encontrar uma lagartixa morta na minha casa, vou tirar foto e publicar no blog. Com um aviso de censura (para estômagos sensíveis e outros Joãos (Joões?) que possam vomitar).
===
Já leram "A paixão segundo G.H."?
A personagem (G.H.) entra em crise existencial por causa de uma barata. Ou melhor, o fato de ela encontrar uma barata morta amassada no armário faz com que ela reveja vários pontos em sua vida.
Mais ou menos como em "Laços de família", onde o distúrbio chega através de um cego que masca chiclete.
Senti-me a própria Clarice Lispector. Mal comparando, a lagartixa foi a minha barata. E se eu escrever um livro no mínimo parecido com os dela, já fico satisfeita.
Por enquanto bastam as semelhanças atuais: a faculdade de Direito (sim, ela fez UFRJ! Pra compensar o fato de Eurico Miranda também ter feito...) e o choque da lagartixa-barata.
===
Cada um tem o psicopata e o bicho-revelador que merece.
Conheço uma pessoa que ontem perdeu seu psicopata favorito. Não sei como ela está, não seu como irá ficar. Só sei que ela está diferente...
Mais notícias em breve. =)
Enquanto varria a casa hoje, achei uma lagartixa morta. Vocês já viram uma lagartixa morta? Já viram uma lagartixa morta e ressecada? Já viram uma lagartixa morta, ressecada e muito parecida com uma lagartixa viva, não fosse o fato de ela estar morta?
Quase tirei uma foto pra postar aqui, mas é provável que o João passasse mal (não por ela estar feia, porque estava até simpática - tão simpática quanto pode ser uma lagartixa morta - mas por ela estar morta. João tem problemas com cadáveres, mesmo os simpáticos...).
Então, nada de foto, e nada de mamãe aqui lendo que acharam uma lagartixa morta no processo de limpeza da casa.
Porque vai explicar pra ela que isso é um bom sinal - a lagartixa poderia simplesmente ter ficado lá, intocada, e ninguém nunca saberia (nem eu, nem ela, nem vocês) e isso indicaria que a casa não é varrida com frequência.
Mas não. Se eu menciono a lagartixa morta, o que vão pensar da casa dela?
Esclareço logo que é uma casa muito limpa, asseada e organizada - ao menos agora sem obsessão, porque senhor, era difícil...
Não se preocupem. Eu faço questão de falar que, da próxima vez que encontrar uma lagartixa morta na minha casa, vou tirar foto e publicar no blog. Com um aviso de censura (para estômagos sensíveis e outros Joãos (Joões?) que possam vomitar).
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Já leram "A paixão segundo G.H."?
A personagem (G.H.) entra em crise existencial por causa de uma barata. Ou melhor, o fato de ela encontrar uma barata morta amassada no armário faz com que ela reveja vários pontos em sua vida.
Mais ou menos como em "Laços de família", onde o distúrbio chega através de um cego que masca chiclete.
Senti-me a própria Clarice Lispector. Mal comparando, a lagartixa foi a minha barata. E se eu escrever um livro no mínimo parecido com os dela, já fico satisfeita.
Por enquanto bastam as semelhanças atuais: a faculdade de Direito (sim, ela fez UFRJ! Pra compensar o fato de Eurico Miranda também ter feito...) e o choque da lagartixa-barata.
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Cada um tem o psicopata e o bicho-revelador que merece.
Conheço uma pessoa que ontem perdeu seu psicopata favorito. Não sei como ela está, não seu como irá ficar. Só sei que ela está diferente...
Mais notícias em breve. =)
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Amigos,
Do nada...,
Esse sangue negro e viscoso,
Esta que vos fala,
Livros
Msn
Eu tenho uma dúvida.
Quando eu bloqueio alguém no msn, a pessoa continua podendo mandar mensagens (e neste caso elas simplesmente não chegam a mim) ou ela recebe aquele erro de que a mensagem não pode ser entregue?
(Sim, esta é uma informaçao sensível.)
Quando eu bloqueio alguém no msn, a pessoa continua podendo mandar mensagens (e neste caso elas simplesmente não chegam a mim) ou ela recebe aquele erro de que a mensagem não pode ser entregue?
(Sim, esta é uma informaçao sensível.)
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Amigos,
Aspectos de uma nerdice sem fim,
Do nada...
sexta-feira, outubro 19, 2007
Semana 0
Vamos tentar de novo. Para tentar, eu conto o último "causo".
Então estou eu, vendo meus e-mails corporativos (aqueles que foram enviados para a conta que termina com @minhaempresa.com.br), quando me deparo com um e-mail cujo assunto era algo assim:
Processo civil nº xxxxx, movido por FULANA em face de EMPRESA em tramitação na xxx Vara Cível da Comarca da Capital
Até aí tudo bem. Achei meio estranho eu receber um e-mail com esse assunto, mas como existe outra Sarita aqui no trabalho imaginei que tivessem de novo errado a destinatária.
Abri o e-mail.
Prezada Dra. Sarita,
Você foi arrolada como testemunha no processo em epígrafe, movido por FULANA em face de EMPRESA. Gostaria de saber se você foi intimada, se irá participar da audiência e se prestará depoimento.
A audiência será hoje, às 15h.
SICRANA
Advogada
Ahn? Processo? Testemunha? Intimada? Moi?! Eu?!
Como assim???
Fui falar com a advogada. Ela me mostrou o processo, mostrou as alegações da FULANA (que eu, obviamente, conheço.. entrou pra minha lista de "Mais procurados", e ainda nao sei a indenização que irei oferecer pela sua captura com vida.. grrrr...), mostrou meu nominho lá, por extenso (Jesus...) e pediu que eu explicasse o que eu estava fazendo naquele processo.
Expliquei, contei meu lado da história, dei a cópia da minha OAB pra menina e pronto.
To muito p da vida. E justifico.
1- Se você quer que alguém seja sua testemunha, imagina-se que você vá perguntar à pessoa. Se você não perguntar, comunicar também é uma boa opção.
2- Se você quer que a pessoa testemunhe e conte a verdade que vai te ajudar (não manipular a verdade, mas todo mundo já viu série de julgamento, e sabe que as testemunhas devem ser isntruídas, nem que seja pra não ficarem nervosas), você vai avisá-la com certa antecedência.
3- Se você quer que a pessoa esteja de bom humor e com disposição pra te ajudar, você não vai esperar que a outra parte comunique-a que ela foi arrolada como testemunha, oras!
É questão de bom senso. Ninguém precisa fazer faculdade de Direito para saber disso.
O pior de tudo mesmo é que a FULANA é advogada...
E então, é ou não é pra eu estar p?
Então estou eu, vendo meus e-mails corporativos (aqueles que foram enviados para a conta que termina com @minhaempresa.com.br), quando me deparo com um e-mail cujo assunto era algo assim:
Processo civil nº xxxxx, movido por FULANA em face de EMPRESA em tramitação na xxx Vara Cível da Comarca da Capital
Até aí tudo bem. Achei meio estranho eu receber um e-mail com esse assunto, mas como existe outra Sarita aqui no trabalho imaginei que tivessem de novo errado a destinatária.
Abri o e-mail.
Prezada Dra. Sarita,
Você foi arrolada como testemunha no processo em epígrafe, movido por FULANA em face de EMPRESA. Gostaria de saber se você foi intimada, se irá participar da audiência e se prestará depoimento.
A audiência será hoje, às 15h.
SICRANA
Advogada
Ahn? Processo? Testemunha? Intimada? Moi?! Eu?!
Como assim???
Fui falar com a advogada. Ela me mostrou o processo, mostrou as alegações da FULANA (que eu, obviamente, conheço.. entrou pra minha lista de "Mais procurados", e ainda nao sei a indenização que irei oferecer pela sua captura com vida.. grrrr...), mostrou meu nominho lá, por extenso (Jesus...) e pediu que eu explicasse o que eu estava fazendo naquele processo.
Expliquei, contei meu lado da história, dei a cópia da minha OAB pra menina e pronto.
To muito p da vida. E justifico.
1- Se você quer que alguém seja sua testemunha, imagina-se que você vá perguntar à pessoa. Se você não perguntar, comunicar também é uma boa opção.
2- Se você quer que a pessoa testemunhe e conte a verdade que vai te ajudar (não manipular a verdade, mas todo mundo já viu série de julgamento, e sabe que as testemunhas devem ser isntruídas, nem que seja pra não ficarem nervosas), você vai avisá-la com certa antecedência.
3- Se você quer que a pessoa esteja de bom humor e com disposição pra te ajudar, você não vai esperar que a outra parte comunique-a que ela foi arrolada como testemunha, oras!
É questão de bom senso. Ninguém precisa fazer faculdade de Direito para saber disso.
O pior de tudo mesmo é que a FULANA é advogada...
E então, é ou não é pra eu estar p?
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Ninguém merece...
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