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quinta-feira, maio 15, 2008

Clipping de notícias - tolerância zero

(Os textos abaixo são adaptados de uma troca de e-mails entre profissionais de nível superior de uma grande empresa - que absolutamente não é a minha, e eu não digo isso pra disfarçar o foco. Obviamente os nomes foram omitidos e eu não contarei a fonte.)

"Estamos recebendo, desde algumas semanas atrás, os documentos com os grampos invertidos (para o lado de trás).
Solicitamos que o grampo seja colocado da mesma forma que anteriormente, na parte da frente. É impossível tirar cópias da fatura com ele na parte de trás, o que nos obriga a inverter o grampo logo que a documentação chega aqui.
Tive que inverter um grampo de uma fatura de umas 400 páginas e, digamos, não foi muito fácil. Acredito que colocar o grampo do lado correto não implicará nenhum trabalho adicional para vocês, por isso faço essa solicitação (em nome de todo o setor)
Grato;
O cara sem nada pra fazer
Gerência"



"Caro cara sem nada pra fazer,
Creio que não há uma maneira "correta" de utilizar grampos. Qualquer que seja o lado do grampo, ele cumpre sua função, que é a de anexar as folhas. Passamos a fazer dessa forma, pois acreditávamos que era a maneira mais fácil de juntar novos documentos. Entretanto, diante de sua tão cordial solicitação, passarei para todo o pessoal do meu setor sua orientação.
Atenciosamente,
O cara sem paciência"



"Considerando que, ao por o grampo do lado de trás do dossiê, todas as vezes somos obrigados a inverter a posição do grampo - para tirar cópias, assinaturas, carimbos- a posição "correta" seria a mais adequada para a realização do trabalho.
Inverter grampos em dossiês de 400 páginas é uma atividade, digamos, angustiante, além de desnecessária, considerando que não há nenhum trabalho adicional em colocar o grampo na posição "correta".Ano passado a posição dos grampos também foi invertida, e tivemos que solicitar a mudança. Apenas após percebermos que a posição correta não seria retomada, fizemos o pedido."



"Eu tenho muito trabalho a fazer e não posso ficar discutindo com você sobre qual é a posição correta do grampo. A posição do grampo que facilita o meu trabalho dificulta o seu, então acredito que não há uma posição correta, mas sim a mais adequada para cada situação. Como eu falei anteriormente, passarei a sua solicitação aos meus colegas.
Aproveito para informar que as suas próximas recomendações deverão ser enviadas ao meu chefe imediato, o gerente de área.
Atenciosamente,
O cara sem paciência."


===

Solicitação estúpida, resposta tolerância zero.
É isso aí.

quarta-feira, maio 14, 2008

Hora extraordinária

A grande preocupação de quem começa um novo trabalho é o quão tarde será necessário sair. Pedro me perguntou isso e eu falei "relaxa, sair tarde é desnecessário..."

Hoje, às 22h25, eu mandei um torpedo para o mesmo Pedro dizendo "adivinha onde eu to.."
Eu estava no trabalho, no hall dos elevadores, descobrindo que depois de 22h só um elevador permanece ligado. Isso depois de, às mesmas 22h, as luzes terem sido apagadas e eu ter ligado pra pedir que reacendessem.

Para então descobrir, no subsolo, que os caixas eletrônicos do Itaú são os únicos desligados às 22h.

Ou seja, era 22h30, eu estava no centro da cidade, sem dinheiro, sem voucher, sem dinheiro em casa, sem caixa eletrônico funcionando.

A solução foi aceitar o oferecimento de uma gentil alma que passava perto, recusando, com isso, a vaquinha que os seguranças já pensavam em fazer...

É... eu estava mal a esse ponto.

terça-feira, abril 29, 2008

Apólogo

Não é sobre o Flamengo, caju. =)

===

Vocês conhecem um conto do Drummond chamado "Apólogo"? Não tenho certeza quanto ao autor nem quanto ao nome, mas resumidamente é a história de uma agulha que se revolta por achar que faz todo o trabalho para a linha - que nada faz - ir às festas nas roupas das clientes da costureira. Esta história se passa na caixinha de costura, e a conclusão é que todos, em algum momento da vida, servimos de agulha a alguma linha ordinária e sem consideração.

Lembrei desse conto há alguns meses - e digo isso sem ressentimento, até achando graça - quando uma menina que estudou comigo me ligou pedindo algumas informações sobre um concurso que eu tinha feito. Não digo que ela não poderia ter ligado - afinal, ela tinha meu número, e são relativamente poucas as pessoas que o têm. Digo apenas que foi estranho atender o telefone e ouvir alguém que eu não via há séculos me pedindo informações sobre concurso quando ela poderia ter me ligado há outros séculos para devolver um dvd meu que ainda está com ela desde que nos vimos pela última vez.

Isso tem aproximadamente 3 anos. E nesse tempo todo ela me ligou, tirou a dúvida que queria, tornou a ligar, tornou a tirar dúvida e pedir informações - me senti o RH da empresa, mas fui bastante solícita até onde permitiram meus pareceres e meus prazos. E nada do dvd.

Não me incomodo em ajudar, se eu puder ajudar. Mas é engraçado como algumas pessoas conseguem ter força de vontade (ou cara de pau, não sei bem.. rs) suficiente para procurar pessoas com quem não tem intimidade e pedir ajuda, repetidas vezes, esquecendo o que elas deveriam fazer...

O mais engraçado mesmo é que, neste caso específico, deu pra perceber que ela não estava à vontade. Ou seja, ela não tem cara de pau. E sabia que a situação era estranha para nós duas.

Com perdão do trocadilho a ouvidos mais ou menos sensíveis... cara, tá no inferno? abraça o capeta e chama de parceiro! Não dá pra ficar de mesuras, não dá pra ficar com meias palavras. O ato em si pede coragem e ausência de tecidos humanos no rosto. Abrace sua natureza vegetal! Pra usar, usa direito, caramba, desde que não avacalhe.

sábado, abril 26, 2008

Cada um no seu...

quadrado.

Fase 1 - o vídeo do KibeLoco

quinta-feira, abril 17, 2008

Inspira, expira, inspira, expira...

Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira...
E que o coração não esqueça de bater.

Vai passar rápido, este é um local seguro, um ambiente controlado, uma instituição séria.
Peraí, tem certeza que eu não tenho mesmo nada de metal? E minhas obturações? Caramba, agora que eu lembrei que uma das brocas quebrou dentro do dente! Eu tenho metal!

Barulho ensurdecedor.

Será que é por causa do metal?

Inspira, expira, inspira, expira...
Conta. Ele disse 20 minutos. Essa é a segunda vez que tem barulhos ensurdecedores ininterruptos, então se eu contar, posso calcular quanto tempo falta.
1001, 1002, 1003...

6 minutos e o barulho pára.
Toda vez que ele pára o coração pára junto.
E eu respiro fundo.

Não desmaia, Sarita, se desmaiar você vai se mexer, ele disse que não pode mexer, não pode nem coçar o pé.

Inspira, expira, inspira, expira...
O barulho volta, e depois de mais 6min pára. Silêncio. Silêncio. A máquina continua fazendo um barulhinho persistente, só pra não dizer que o silêncio é absoluto.

Naquele espaço mínimo, claro, com vento no rosto e metal por todos os lados, eu penso em inundações, assassinatos, invasões, falta de energia, todo tipo de catástrofe que irá acontecer a qualquer segundo, enquanto eu estou ali, imóvel, batimentos cardíacos contados, consciência mantida a muito custo e nível de desespero controlado a base de muitos pensamentos positivos. Até a voz dizer "Tudo bem, Sarita?"

Não, não está tudo bem!!! Se você perguntar isso seriamente eu vou começar a socar essa máquina e vou me libertar na marra!!!
"Tudo, mas vai demorar muito?"

"Já acabou, já vamos tirar você daí."

===

A sensação é de ser enterrada viva, sem que ninguém tenha te explicado que você morreu - porque se tivessem explicado você poderia relaxar e se asfixiar em paz, claro.

Depois de 20min fazendo ressonância magnética eu descubro que não tenho claustrofobia, mas que em sã consciência eu nunca mais vou saltitante e curiosa fazer um exame que te deixa trancafiado num cubículo barulhento por 30min.

E não, não dá pra pensar. Seus pensamentos não cabem ali dentro com você.
Mas sempre resta como opção cantar (eu escolhi "Hero", da Mariah Carey, e "Mr Jones", do Counting Crows - sim, eu estava desesperada).
No final, eu entoava o mantra das Bene Gesserit: I must not fear. Fear is the mind-killer. Fear is the little death that brings total obliteration...

Nunca pensei que ler ficção científica fosse efetivamente me ajudar...

terça-feira, abril 15, 2008

Chicken

Muitas são as opções no banco de imagens do Google, mas esta é a que melhor representa:



Kung-fu chicken.
Olhando de longe - e com fundo vermelho - parece assustador. Mas na verdade não é. Tem medo. E não conhece o mantra das Bene Gesserit*.

Pobrezinho...

O resultado é simples: eu, que não tenho medo, mas sigo ordens, acabo também me sujeitando a esse rótulo. Vai entender...


*"I must not fear. Fear is the mind-killer. Fear is the little death that brings total obliteration. I will face my fear. I will permit it to pass over me and through me. And when it has gone past I will turn the inner eye to see its path. Where the fear has gone there will be nothing. Only I will remain."

quarta-feira, abril 09, 2008

Quadrilha

Eu estava preparada para fazer um tratado do amor não correspondido (em homenagem aquele poema do José, que amava Teresa, que amava...), mas limitar-me-ei a descrever a cena.

6a feira, choppinho, quatro amigos num bar. Um único menino.
O menino está cercado por 3 meninas absolutamente diferentes: menina A, menina B e menina C.
Menina A acha tudo que ele faz perfeito, é superprotetora e por isso mesmo meio desligada.
Menina B não reparou que ele é apaixonado por ela, ou melhor, reparou mas prefere não acreditar pelo risco de perder o amigo.
Menina C não o acha perfeito, mas o acha surpreendentemente igual a ela, motivo pelo qual ela sabe que ele está apaixonado e sabe que ele não vai falar nada.

Menina B conversa muito com menina C, e menina C conversa muito com menina A.

Em um desses papos, menina C comenta a noite do choppinho e diz que menino não sabe disfarçar. Menina A não entende e menina C explica; menina A não acredita e promete confirmar com menino. Menina B finge que não entende mas, depois de alguns minutos, resigna-se.

Menina C, então, percebe que menino não vai falar nada. E que dois amigos do menino (que ela viu uma única vez) percebem tão bem quanto ela. Menina C pensa "Caramba... de que adianta anos de convivência se eu, que conheci o menino ontem, sei o que ele quer só de olhar pra ele?".

O pior de tudo pra menina C é saber e não poder falar nada, por absoluta falta de evidências. Ainda que o olhar de felicidade seja o suficiente para comprovar. E menina C fica triste pelo menino, porque o poema se encaixa como uma luva:


Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

===

A filha de João ia casar com Antônio, mas acabou fugindo com Pedro.
Antônio amava a menina que amava Pedro.
Quadrilha.

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Amizade é uma m*. Traz intimidade, e a intimidade traz a liberdade pra dizer tudo que se pensa. Até magoar fica mais fácil.
E nem por isso menos dolorido.

O bom em ter amigos é não ter que pedir desculpas toda hora. O pedido de desculpas fica subentendido no "tá desculpado" que serve pra substituir o "foi mal", e mesmo na pressa em explicar tudo pra não parecer que foi de propósito.

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Thiago, meu caro, lembre o mantra. Um dia você perde o medo. =)

sexta-feira, março 21, 2008

De volta ao batente, lépida e fagueira

Vou colocar os fatos em ordem cronológica e limitar-me-ei (com mesóclise e tudo) a só comentar o que precisar ser comentado. Tem coisas que falam por si só...

Preliminarmente, esclareço, para quem ainda não sabe: eu e meu mui digno esposo fomos para Maceió passar 10 dias de preguiça, praia e frutos do mar.
Como toda viagem minha tem percalços (e os 3 leitores assíduos deste blog sabem disso de cadeira, poltrona de avião e banco de ônibus), essa não poderia ser diferente. Percalços, sim. Tropeços, com certeza. Tudo sem perder o charme típico desta carioca, flamenguista e possuidora do gadget mais interessante já inventado: o palm.

1- O vôo saiu do Rio por volta de 1h da madrugada, com chegada prevista em Maceió às 5h. Chegamos no hotel 5h30.
Pergunta: para que horas estava marcado nosso check-in?
Resposta: 12h. 12h = meio-dia, não meia-noite.
Conclusão: Fomos para outro hotel e lá ficamos até meio-=dia, dormindo. Porque, é claro, o nosso hotel estava lotado.

2- Em Maceió você pode até tentar atravessar a rua enlouquecidamente como os cariocas, mas não conseguirá. Ao verem você tentando se matar, os motoristas irão parar e permitirão sua travessia incólume e envergonhada.

3- Está sendo realizado o evento mais esperado por todas as meninas vencedoras do concurso de miss nas cidades alagoanas: a eleição da Miss Alagoas. Com direito a passeio à capital para sessão de fotos no monumento em homenagem a Teotônio Vilela.

4- Essa é para os advogados: qual é o princípio mais importante?
Não sabe? Pois os estudantes de direito de Alagoas já escolheram o seu top-3: contraditório, ampla defesa e dignidade da pessoa humana. Esqueçam os outros, esqueçam a ponderação, esqueçam toda e qualquer teoria que tentou explicar que os princípios possuirão valores diferentes dependendo do caso concreto. Esqueçam o caso concreto! São esses. E ponto.

5- Impressionante. No vôo de ida o avião foi invadido em Sergipe (sim, tivemos escala em Aracaju, por quê? Não pode?) por participantes dos Jogos Petrobras. Eu não sei não, mas pensava que já tivesse acabado...

6- Sou criativo. Quero criar um nome pra minha loja de sapatos. Hum... que tal... "Sapato's"? Perfeito!
Agora... preciso criar um slogan... Hum... "Sapatos é na Sapato's"? Perfeito também!
(Não, eu não digitei errado. REALMENTE.)

7- Eu e o mui digno esposo fomos passear na foz do Sao Francisco que em algum tempo deixará de existir graças a transposição das águas. Então, com a consciência de vermos um fenômeno em extinção, passeamos nas dunas, vimos o encontro com as águas do mar, tomamos banho no rio e tiramos fotos. Perfeito. No retorno ao barco, Cristiano percebe que está sem óculos. Desce do barco, volta pra areia, pricura óculos, pergunta, nada. Solução: comprar lentes de contato. Quase 3oo$ por causa de um passeio ecológico. Malditos turistas e suas invenções...

8- Óbivo que algo mais ia dar errado. Voltando do shopping (sim, tem shopping em Maceió, com cinema Severiano Ribeiro onde assistimos "10.000 a.C.") depois de comprar a lente, descobrimos já no restaurante (chamada "Água doce".. hum...) que a máquina estava, coitada, sozinha dentro do táxi. E que o táxi já tinha ido embora. Cristiano pensa, coloca as mãos na cabeça, usa uns 2 palavrões que eu não conhecia, e anda de um lado para outro até eu ter a brilhante idéia de voltar ao shopping e falar com alguém da cooperativa. Passa rádio pra central, central fala com os táxis, Cristiano anda, Sarita toma sorvete. Em 30min retorna a camera, nas mãos do motorista de táxi. E recuperam-se, assim, ao mesmo tempo, o bom humor do marido, a calma da esposa e as 200 fotos tiradas em 3 dias de viagem.

9- Lembrei o que eu tenho contra paulista. Além de sem educação quando em bando e viajando, eles desdenham dos locais e se acham os reis da cocada-preta. Sorte minha que não tinha cocada preta lá. Ou sorte deles, porque eu fiquei tolerância -20 no dia que por infelicidade dividimos a van da empresa de turismo com 4 casais paulistas. Sim, minha querida, 4, daqueles que você gosta, no ponto! Como eu gosto de ser carioca...

10- Ainda tive que aturar gozação na orla porque estávamos com a camisa do Flamengo depois do desastre contra o Botafogo... Oras! O dinheiro não é meu? O corpo também? Então, carambolas...

11- Mergulho em Maragogi. Sarita, de snorkel e máscara, encontra um coral "coral", não "branco". Sarita resolve mergulhar para ver melhor. Sarita utiliza a técnica ensinada por Ivo, companheiro em sua empregadora: deitada, jogue o quadril para cima e depois levante as pernas; o corpo vai descer com velocidade. Sarita não controla direito o "levante as pernas" e quase dá uma cambalhota dentro dágua. O primeiro caso de cambalhota subaquática resultando em afogamento e na morte de um coral em formação no meio de uma APA (é, Leandro... ambiental colou de vez, rapaz..).

12- Em Maragogi vende-se o licor "Control". Se você ler com sotaque francês vai entender, meu caro. Vai por mim...

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Agora vamos à reclamação.

Impor ditadura aqui significa que EU escrevo o que EU quero quando EU quero. A contrario sensu quer dizer que se eu NAO quiser escrever, eu NAO escrevo. O máximo que vocês 3 podem fazer é lançar o protesto, mas não invocar um suposto direito criado por uma suposta ditadura.

Meu regime ditatorial é simples: vocês lêem, e só. E ai de vocês 3 se resolverem parar de ler.
Humpf.

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Leandro, atualizar o blog quando nada acontece é difícil. Mais difícil ainda é atualizar o blog quando você não levou o notebook pra viagem, o hotel cobra horrores pela navegação e deixa um único pc pra toda uma multidão de hóspedes...

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O mundo divide-se em dois grupos: os que amam o Flamengo e os que odeiam o Flamengo. Estes dividem-se em outros dois grupos: os que odeiam o Flamengo por ele ser o Flamengo e os que odeiam o Flamengo por ele não ser o seu time.

Ódio gratuito demonstra uma total falta de amor próprio. Meu caro, redirecione sua vida!
E o ódio causado por amor a outro time demonstra falta de consiciência de um dos fatos mais corriqueiros da vida: um dia a gente ganha, no outro a gente ganha também. "My apologies for any grief this may have caused you. Fortune passes everywhere." (Farad'n, Frank Herbert`s Children of Dune)

Sayonara.

sábado, março 01, 2008

Pausa para descanso

Iniciou-se a pausa para descanso.
Isso implica em eu ter mais tempo para escrever, mas ter consideravelmente menos assunto. O que tornará meu blog excepcionalmente chato.

Na tentativa de ultrapassar o nível extremo de chatice, tentando deixá-lo ao menos suportável, vou fazer uma lista. Acompanhem.

1- Comprei um notebook. Na dúvida entre design e durabilidade, fiquei com os dois. Um Toshiba muito fofo de 13,3" com o tal Windows Vista instalado. Minha crítica atual é simples: por que exatamente o Vista precisa de minha autorização/permissão para executar um mísero joguinho? Tudo isso é medo? O Vista tá com medo???

2- Instalei o Doom 3 neste notebook. O pedido foi simples: "quero matar monstros, e quero fazê-lo em primeira pessoa". A resposta foi à altura, não fosse o jogo ser em italiano. Para um jogo que precisa de instruções (aliás, percebi que o forte dele são as instruções no meio do nada, ao menos de acordo com o walkthrough que eu li - sim, eu li um walkthrough) isso não foi legal. Nada legal...

3- Fui expulsa do blog do João. Quando eu reparei, não podia mais postar. Coisa feia essa. Fazer a mudança da pessoa sem ao menos dizer pra ela onde você está colocando as caixas com as coisas...

4- Alguém tem o "Senhor dos Anéis" em versão estendida pra me emprestar? Quem iria fazê-lo "chickened out" e mudou de idéia sem dar aviso prévio. Humpf.

5- Fase consumista devidamente instalada no OS. Vamos ver no que isso vai dar.

6- Sim, eu concordo. Eu continuo bonita e com o mesmo sorriso. Ainda que você não tenha falado isso.

A Terra é redonda. Se você seguir sempre na mesma direção, voltará ao ponto inicial. Se meu blog decaiu e decair cada vez mais, será que ele voltará a ter a mesma qualidade de antes, por absoluta impossibilidade de ficar pior? =D
Torçam por isso, vocês três que me lêem...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Decálogo dos direitos do blogueiro

1. Toda blogagem se dará em paz e exercitará a liberdade de expressão. A blogagem estará a salvo de perseguição política, religiosa ou doutrinária de qualquer caráter. O blogueiro será livre para dizer o que lhe venha à telha, não podendo ser taxado de politicamente incorreto, desde que, obviamente, não cometa crimes.

2. Todo blogueiro terá o direito de passar um dia, uma semana ou um mês sem blogar e não receber mensagens alarmistas ou apocalípticas. Os blogueiros serão poupados de receber e-mails com gritaria ou esbravejação em letras maiúsculas e, no caso de recebê-los, serão livres para exercitarem o direito de ignorá-los ou apagá-los.

3. Todos os blogueiros terão direito de blogar em próprio nome, em pseudônimo ou em heterônimo como lhes aprouver, de forma exclusiva ou simultânea.

4. Sendo publicitário, funcionário público, palhaço, vendedor de seguro, jogador de futebol, aeromoça, professor universitário, paquita, lixeiro, desempregado ou vagabundo nas horas vagas, o blogueiro tem direito de não ser importunado, agredido, chantageado ou ofendido por sua escolha ou necessidade profissional fora das horas de blogagem.

5. Todos os blogueiros terão direito de livre associação em quaisquer grupos, incluindo-se aí grupos com objetivos e programas contraditórios. Entender-se-á a blogagem sobretudo como um direito à coexistência bizarra, insólita e feliz de diferenças na internet. Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa nem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca visita com semelhante tranqüilidade.

6. Todo blogueiro estará livre de qualquer responsabilidade sobre afirmações feitas por outras pessoas em seu blog. Nenhum blogueiro poderá ser interpelado, processado ou censurado por ofensas ditas por outrem em seu blog. Caso alguma pessoa se sinta ofendida por algum comentário e reclame, o blogueiro terá amplo tempo para decidir qual a atitude correta que, como anfitrião, poderá exercitar.

7. A todo blogueiro será garantido o direito de promover votações, concursos, escrever citações, retrospectivas, autolinkagem ou reciclagem sem ser acusado de estar sem assunto.

8. Todo blog terá liberdade absoluta de linkar, deslinkar e relinkar como lhe preze, entendendo-se que a linkagem, em qualquer das formas acima citadas, é ato livre, unilateral e não significa, por si só, um endosso de conteúdo do site linkado. Todo blogueiro terá paz para linkar aqueles que o linkam ou não, na medida em que ele vá se viciando em blogs.

9. Todo blogueiro terá o direito de exercitar periodicamente o direito de dizer abobrinhas sobre assuntos que não entende, de tal forma que os blogs de futebol serão apoiados quando resolvam falar de música e os blogs de economia contarão com a compreensão geral quando decidam falar sobre vinho. Mais bobagem que certas revistas semanais blog nenhum conseguirá dizer.

10. Todo blogueiro terá o direito de propor decálogos completos ou incompletos – eneálogos, na verdade – e solicitar ser completado, corrigido ou auxiliado pela caixa de comentários. Esqueci de alguma coisa?

(Extraído de O Cachambi não é aqui!)

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Domingo no Maracanã

Não vou dizer que a derrota passou suave com os comentários de "tudo bem, já estávamos classificados", "foi o time reserva", "Deus existe e é bom com os mais fracos".

A derrota tá engasgada. Tão engasgada que eu nem farei comentários sobre o jogo.
Mas domingo estaremos lá.
Estaremos, Michel.

"Eu sempre te amarei, onde estiver, estarei, ó meu Mengo!"

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Acho que só quem estava no Maraca ontem viu as torcidas após o jogo ser interrompido por falta de luz.
Young Flu de um lado, Jovem do outro. As torcidas cantavam e se desafiavam. Um tiquinho de nada da Raça fazia o mesmo, debaixo da chuva torrencial. De repente, Jovem e Raça correram para o meio da arquibancada verde. Transformaram o desafio em uma massa que gritava e encarava a Young, que não teve alternativa a não ser unir-se aos 10 bravos da outra torcida do Fluminense ( o nome? sei lá!). Foi patético ver a tentativa do Flu, enquanto o Maraca em uníssono (porque a Nação sempre é maioria) gritava "É união! É união!"

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Calma, crianças...

Sinto-me tentada a revelar a identidade secreta de todos aqueles que passam aqui, lêem os post, lêem os comentários e não se manifestam, mas depois têm a petulância de dizer "Puxa, você nunca mais atualizou o seu blog..."

Mas, como eu gosto muito desse pessoal e, ou bem ou mal, eles estão efetivamente tomando ciência do que acontece na minha vida - já que a maioria deles não conversa decentemente comigo há muito tempo - achei por bem ao invés de revelar suas identidades secretas contar as novidades, sem Jack.

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Se... eu não tivesse resolvido detonar meu blog há algum tempo atrás (quem se lembra do "abreparenteses.blogspot.com"?), eu poderia simplesmente refrescar a memória de vocês com um post antiiiiigo, ainda da época em que eu me dividia entre FND na parte da manhã e E.M. Tiradentes na parte da tarde (com eventuais fugas pro Valqueire ou pro shopping de noite).

Neste post eu contei de um desvio que tornou-se acidente sem vítimas fatais, mas com afastamento (a penúltima escala na pirâmide de problemas, pelo menos de acordo com minha atual empregadora em sua política de SMS).

Andava eu tranquilamente pela rua, atravessando para ir para a escola, quando observei um carro vindo em minha direção. Calculei e parei no meio do pavimento, dando espaço para que o carro pudesse passar. O motorista ficou meio desconfiado, mas continuou andando. Calculei mal. Quando o motorista percebeu e freou, o carro estacionou sobre meu pé direito. Sim, estacionou. Vocês lembram que eu contei ter sido necessário bater no vidro para que ela (era mulher) desse ré de cima do meu pé, isso depois de eu ter tentado (???) removê-lo aos puxões.

A conclusão foi um dedinho do pé fissurado, todos os dedos inchados e muitos dias em casa - não tanto pela seriedade do caso, mas pela probabilidade de ele piorar muito se eu fosse trabalhar em uma sala pequena com 30 crianças. Como diria Angela, Murphy atua. Eu chutaria mesas, cadeiras, crianças e acabaria tendo o dedinho mutilado.

Por que relembrar isso, perguntarão vocês.

Porque na 2a feira da semana passada, voltando para casa, eu consegui encontrar um buraco na calçada, ver que ele era menor que meu pé e mesmo assim tentar encaixá-lo com toda a força que possuo. Não consegui, os dedos ficaram do lado de fora e o dedinho foi trucidado.

Muitas horas de dor depois, o médico me deu alguns dias em casa.

Qual pé? O direito. Qual dedo? O menor de todos. De novo. Óbvio.

Pelo menos aprendi nova técnica de imobilização... =)

sexta-feira, novembro 30, 2007

Humpf.

Olheiras profundas, pálpebras pesadas, corpo dolorido. Tudo por quê? Tudo porque meus clientes resolveram ficar criativos!

E por que não aproveitar a semana em que só a Sarita está lá para exercer toda a criatividade que ficou durante anos repousando? Por que não?

E por que não ter idéias brilhantes quando a única que irá analisá-las será aquela que, por pura estafa, não conseguiu calcular míseros 25% de um valor irrisório para responder uma questão simples sobre aditivos?

E por que, digam, por que não complicar todos os casos mais um pouquinho, com a ajuda dos fornecedores? Vamos ver Sarita desesperada! Vamos vê-la não almoçando direito, vamos vê-la trabalhando em casa até meia-noite, vamos vê-la ligando para os clientes sem conseguir falar com eles e sabendo que o prazo está passando, o tempo está passando e nada fica pronto sozinho.

Melhor ainda. Vamos ver o ar de loucura se estampar vagarosamente em seu rosto. Vamos ver seu olhar adquirir um brilho estranho e vamos ver seu sorriso soar como estilete no papel alumínio (nota: definição atribuída por guilherme, o caju. Ou seria caju, o guilherme?)...

E ao final de tudo, vamos ligar para ela e dizer que desistimos, que o caso tomou novo rumo e seu parecer não é mais necessário! Para então assistir as veias em seu pescoço saltarem, explodirem e ela ter um aneurisma de stress.

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Humpf.

===

"My doctor says that I have a malformed public duty gland and a natural deficiency in moral fiber, ahd that I am therefore excused from saving Universes."

Ford Prefect - Douglas Adams' The ultimate hitchhiker´s guide to the galaxy

sexta-feira, novembro 16, 2007

A volta dos que não foram

Então eu e Cris acabamos de sair da Catedral e estamos atravessando uma das principais avenidas de Buenos Aires, indo em direção à Casa Rosada.
Dois homens atravessam a rua no outro sentido.
Um deles magro, branco, cabelos cacheados e castanhos. Sorri para nós dois. Ambos estamos com a camisa do Flamengo.

Passamos pelos homens com uma sensação estranha.Ao chegar do outro lado da rua, olhamos um para o outro, arregalamos os olhos, começamos a rir. Eu quebro a estupefação, falando:
- Cara, aquele ali não era o Kenny G??
- Era!
- Po, foi difícil reconhecer sem o saxofone!

Gargalhadas depois, passamos por este anúncio:



Ahh como eu me arrependo não ter pedido um autógrafo e tirado foto...

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Nota: ele estava exatamente igual, com a mesmíssima camisa e o mesmo cabelo; mas admito que foto de outdoor engorda o fotografado.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Noticias recentes

Well well well...
Sao 11h14 em Buenos Aires e 12h14 no Brasil.

E eu preciso urgentemente fazer um curso de espanhol...

Em breve, as fotos mais bizarras serao publicadas. Fotos que somente eu seria louca o suficiente para manter na memória da máquina.

(Aviso logo que o teclado daqui nao tem til. Ué, perguntarao voces, mas e o til que eles colocam em cima do "n"? Pois é, chicos, tem uma tecla pra isso: ñ. Paciencia. Leiam sem til e sem circunflexo. Voces sao capazes. Lmeberm que o que ipmotra sao a pireirma e a utlmia lreats... rs)

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Mas eu nunca tive tanto problema pra me comunicar como nesses dias. Estava quase falando em ingles pra que as pessoas me entendessem. Ou melhor, "quase", nao. Eu efetivamente falei em ingles com pessoas no hotel. Pessoas que falavam em espanhol.
E obviamente as palavras quase saíam em portugues, em frances, em italiano.. tudo, menos espanhol.

Nao sei, Sarita, pode ser porque VOCE NAO SABE ESSA LINGUA, NÉ?
Talvez... =)

quinta-feira, outubro 25, 2007

Ah, lagartixa...

Lembram que eu falei da lagartixa?
Pois é.
Acho que foi um sinal divino de que eu seria perseguida incessantemente por nuvens de insetos (ou "nuvem" é só pra gafanhoto? hum..).

Primeiro tivemos uma rainha-formiga, buscando onde colocar seu novo reino. Onde? Aparentemente eu seria uma boa indicação, porque ela resolveu me utilizar como meio de transporte. Pousou em meu braço quando eu saía de casa e não levantou vôo por nada no mundo, exceto quando eu ameacei aparar suas asas com um tapa.

Ainda na minha rua, descubro uma joaninha no guarda-chuva - daquelas joaninhas amarelas, não das vermelhas, clássicas (porque tudo comigo tem que ser diferente, obviamente). Ela passeou tranquilamente e ficou me olhando enquanto eu a soprava. Sumiu em pleno vôo e eu continuei.

Peguei o ônibus, sentei no lado da janela, feliz da vida. Pensando nas coincidências, nos insetos que resolveram me perseguir, lembrando da lagartixa petrificada na minha casa.

Olhei para o lado e o que vejo na camisa do garoto sentado do meu lado? A rainha-formiga! Sim, ela!
Levantou vôo, passeou por uns instantes na minha frente e pousou. Ao meu lado, na janela.

Eu fiquei tensa, absurdamente tensa, estranhamente tensa.
Olhei para a formiga-rainha (rainha-formiga, sei lá) e senti-me ameaçada. Ela esfregava as patas e me olhada, andando em minha direção e batendo as asas suavemente.

Confessou que matei-a com uma caixinha de clipes que estava na minha bolsa. Seus restos mortais ainda estão na caixa, no chão do ônibus e na janela.
Um formigueiro a menos no mundo.
E me senti culpada por isso.

Tudo pra depois olhar pro lado e descobrir um mosquito (sim, um mosquito) pousado na janela, e vê-lo dando voltas em torno de mim!
Senhor, cadê a bendita lagartixa???

I´m so sorry...

Suedehead - Morrissey

Why do you come here?
and why do you hang around?
I'm so sorry
I'm so sorry
Why do you come here
when you know it makes
things hard for me?
when you know, oh
why do you come?
Why do you telephone?
and why send me silly notes?
I'm so sorry
I'm so sorry
why do you come here
when you know it makes
thing hard for me?
when you know, oh
why do you come?
You had to sneak into my room
'just' to read my diary
was it just to see all the things
you knew I'd written about you?
and...so many illustrations
I'm so very sickened
oh, I am so sickened NOW

===

Porque ela é psicopata, oras! =)

sexta-feira, outubro 19, 2007

Semana 0

Vamos tentar de novo. Para tentar, eu conto o último "causo".
Então estou eu, vendo meus e-mails corporativos (aqueles que foram enviados para a conta que termina com @minhaempresa.com.br), quando me deparo com um e-mail cujo assunto era algo assim:

Processo civil nº xxxxx, movido por FULANA em face de EMPRESA em tramitação na xxx Vara Cível da Comarca da Capital

Até aí tudo bem. Achei meio estranho eu receber um e-mail com esse assunto, mas como existe outra Sarita aqui no trabalho imaginei que tivessem de novo errado a destinatária.

Abri o e-mail.

Prezada Dra. Sarita,
Você foi arrolada como testemunha no processo em epígrafe, movido por FULANA em face de EMPRESA. Gostaria de saber se você foi intimada, se irá participar da audiência e se prestará depoimento.
A audiência será hoje, às 15h.

SICRANA
Advogada


Ahn? Processo? Testemunha? Intimada? Moi?! Eu?!
Como assim???

Fui falar com a advogada. Ela me mostrou o processo, mostrou as alegações da FULANA (que eu, obviamente, conheço.. entrou pra minha lista de "Mais procurados", e ainda nao sei a indenização que irei oferecer pela sua captura com vida.. grrrr...), mostrou meu nominho lá, por extenso (Jesus...) e pediu que eu explicasse o que eu estava fazendo naquele processo.

Expliquei, contei meu lado da história, dei a cópia da minha OAB pra menina e pronto.

To muito p da vida. E justifico.

1- Se você quer que alguém seja sua testemunha, imagina-se que você vá perguntar à pessoa. Se você não perguntar, comunicar também é uma boa opção.

2- Se você quer que a pessoa testemunhe e conte a verdade que vai te ajudar (não manipular a verdade, mas todo mundo já viu série de julgamento, e sabe que as testemunhas devem ser isntruídas, nem que seja pra não ficarem nervosas), você vai avisá-la com certa antecedência.

3- Se você quer que a pessoa esteja de bom humor e com disposição pra te ajudar, você não vai esperar que a outra parte comunique-a que ela foi arrolada como testemunha, oras!

É questão de bom senso. Ninguém precisa fazer faculdade de Direito para saber disso.
O pior de tudo mesmo é que a FULANA é advogada...

E então, é ou não é pra eu estar p?

sábado, setembro 29, 2007

Guarujá/SP

O motivo: participar do IV ICCyber (Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos). Sim, eu assumi meu lado nerd (não vou nem mencionar a origem das influências malignas, porque creio que todos sabem).

A novela começou mais ou menos as 15h, quando nossa heroína pega o ônibus na Rodoviária do Guarujá (vocês sabiam que o Guarujá é uma ilha?? pois é!).
Para que ela não ficasse com medo na Imigrantes, disseram-lhe:
Essa é a estrada mais moderna de sampa, relax...
Peraí. Ela no ônibus, a não sei quantos metros acima do nível do mar, subindo cada vez mais, em uma rodovia que não está colada na pedra, nem está sobre ela, mas apenas elevada, sobre pilotis imeeeeeeeensos, e querem que ela relaxe???


























(Reparem na estrada láaaaaaa no fundo...)

















Mas enfim, ela sobrevive à estrada... chega na Rodoviária de Jabaquara às 16h40, pega um táxi e o taxista é gentil o suficiente para explicar o atalho que estava pegando em consideração ao seu vôo - às 17h40.
Nossa heroína e seu salvador de ocasião fogem da Bandeirantes e seu trânsito caótico diário tradicional. Ela chega no aeroporto às 17h e faz check-in (fazem, ela e suas bagagens de mão. Aliás, perceberam como as bagagens de mão ficam cada vez maiores, mais pesadas e menos "de mão"?) e dirige-se ao portão de embarque.

Vôo Varig 2441, com destino ao Rio de Janeiro, embarque previsto às 18h10, pelo portão 05.
Mas o quê? 18h10?
Passageiros do vôo Varig 2441, com destino ao Rio de Janeiro, embarque previsto às 18h25, pelo portão 05. Fiquem atentos ao sistema de som.

Sarita!
Ahn? Não é o sistema de som... Nossa heroína vira-me. Um analista da Petrobras, que também estava no ICCyber, está esperando o avião. O mesmo. Atrasado.
Ela se senta, os dois conversam, falam sobre computadores, redes, hacks etc. Nada de avião.
Ela lê o livro, ele joga PSP. 18h20. Nada de avião.
Ele tenta entrar na internet pelo PSP. Rede bloqueada. Se eu tivesse o Linux dava pra entrar, mas sem ele... 18h40. Nada de avião.

Passageiros do vôo Varig 2441, com destino ao Rio de Janeiro, embarque previsto às 18h55. Devido ao reposicionamento da aeronave, o embarque será feito pelo portão 04.
O analista, a heroína e suas bagagens-não-de-mão dirigimo-nos ao portão 04.
Sentam-se. Falam sobre música, ela ouço rádio, ele mostra a gravação do trio de jazz. 18h55. Nada de avião.

Varig. Vôo 2441. Rio de Janeiro. Embarque imediato. Passageiros posicionados nas poltronas de 11 a xx.
Ela se despede, deseja boa viagem e entra.
Sua bagagem não-de-mão recusa-se a colaborar. Por sorte, um cavalheiro faz a gentileza de levá-la até o bagageiro (coitado... deve estar com dor nas costas até hoje...).

O avião demora a decolar. Tempo suficiente para ela mandar um último torpedo de adeus, após receber a seguinte mensagem de mamãe:
Aqui começou a chover um pouco agora. Quando chegar no Rio me manda um torpedo. Deus as proteja.
["as" = Sarita e Juliana]

Mmm...
Façam os cálculos: chuva no Rio + serra + nuvens = medo + aflição + tensão + vôo de muitas horas.

Tá, tá, tá.. "Muitas" foi absudamente exagerado. Mas dêem um desconto. Ela estava cansada, tinha ficado mais de uma hora na estrada, não sei quanto tempo no aeroporto e agora ia pegar um avião sabendo que chovia torrencialmente no seu destino!

Senhoras e senhores, boa noite, eu sou o comandante ___ e devemos chegar no Rio por volta de 20h04. O tempo no Rio está chuvoso, mas tudo deve correr bem.
Deve???
O cara do lado já tinha se benzido umas 3 vezes, e ela estava tensa...
Mas já são 20h04! Não deveríamos estar pousando agora??? - pensa.
Tripulação, iniciar procedimento de pouso.
Senhoras e senhores, infelizmente não será possível pousarmos no Santos-Dumont, pois a pista está fechada. Vamos realizar nosso pouso no Aeroporto Tom Jobim.

Bem, dos males o menor. Ela ficará mais perto de casa, pelo menos...

A aeronave pousa por volta de 20h25.
A descida é na pista, para embarque no ônibus que os levará ao terminal. O aeroporto está um caos.
Conrariando as previsões, nossa heroína encontra um táxi, paga absurdos 30 reais e chega em casa, sã, salva, cansada, com sono e com o corpo todo dolorido.

E com um celular suicida, que passou a noite toda se jogando no chão.
Ele deve estar possuido por malevolos espiritos paulistas. Recomendo duas rodas de samba e um domingo na praia...

===

De resto, fico com as fotos tiradas na estrada. E na praia... onde ela não fui por absoluto complô de São Pedro...

terça-feira, setembro 04, 2007

Só dói quando eu Rio

Então, reunião cancelada, retorno eu para a frente do Edise, onde pegaria o 261 em direção ao Méier (isso sem muita certeza de ser o ônibus certo, fato que eu só descobri depois que o João, com a cara mais ingênua do mundo, perguntou onde nós desceríamos - já em São Cristóvão - quando na verdade ele tinha sido a pessoa a afirmar categoricamente "podemos pegar o 261").

Problemas resolvidos no Edita, problemas herdados, problemas ressucitados, tic-tac devidamente confiscado, livro emprestado (imaginem um épico japonês... pois é, minha atual leitura, depois de ler O livro negro de André Dahmer), e uma caminhada breve...

Quase chegando à Senador Dantas, ouço um barulho. Pá!
Cara de ponto de interrogação, prossigo em minha caminhada, e 15 segundos depois o mesmo barulho. Pá!
Pessoas à minha frente olham para o outro lado da Almirante Barroso, sobressaltadas; mulheres entram em um salão de beleza; carros param.
É uma boa idéia parar também, né, Sarita, pra ver o que está havendo... penso eu. E João deve ter pensado o mesmo, porque também parou.
Olho calmamente para trás.
Um homem. Mulato, camisa preta, calça jeans, tênis, bem apessoado, corre pela Almirante Barroso, vindo da Rio Branco.
Um outro homem. Mulato, farda da PM, fuzil para o alto, corre pela Almirante Barroso, vindo da Rio Branco, fazendo o mesmo caminho que o primeiro homem.
O primeiro homem coloca a mão na cintura.
Pronto. F***. penso eu. João deve ter pensado o mesmo, porque começou a me empurrar para dentro do salão de beleza. Eu parada. Peraí, eu quero ver, João...
Sirene vindo pela Almirante Barroso, no sentido da Rio Branco. Carro para, salta um homem, mulato, farda da PM, pistola na mão. Rende o primeiro homem.
O segundo homem, vendo que o terceiro dominou o primeiro, pendura o fuzil de novo e continua correndo. Algema o primeiro homem (com a mesma rapidez que vemos nos filmes) e o faz ajoelhar-se no chão.

Subitamente, me senti segura.

Continuo andando em direção ao ponto de ônibus, mais por insistência do João do que por vontade própria. Eu queria ficar pra ver...
Do ponto de ônibus, vemos a viatura passar, sirene ligada, não mais na contramão. O primeiro homem no banco de trás.
Nova sirene, indo pro mesmo lugar. Um quarto homem, branco, no banco de trás.
Deve ser o cúmplice. João não pensou o mesmo. Segundo ele, devia ser a vítima. Era o único branco...

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Eu não sei o que foi mais insólito: os tiros às 17h30 na Almirante Barroso, o comentário do João ou ver o menino que trabalha aqui no Edise andar na rua tranquilamente, de fone de ouvido, ingorando as pessoas ansiosas e as sirenes.
Morando no Rio, isso já virou algo normal...

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E nem lembrei de tirar foto...